Associação criminosa com advogados usou procuração falsa para transferir imóvel à beira-mar. Polícia Civil deflagrou a Operação Escritura Fria.
Olyvio Marques
Editor · Pernambuco · · 2 min de leitura
Um casal que reside nos Estados Unidos descobriu ter sido vítima de um golpe milionário ao tentar vender um terreno avaliado em R$ 4,5 milhões em Porto de Galinhas, no Litoral Sul de Pernambuco. Atualizado em 22 de julho de 2026. O imóvel à beira-mar já havia sido transferido fraudulentamente para o nome de uma empresa por uma associação criminosa, segundo investigações da Polícia Civil.
A fraude veio à tona em março de 2026, quando os proprietários contrataram uma advogada para iniciar o processo de venda do terreno, localizado na praia de Merepe. Ao verificar a documentação no cartório de Ipojuca, a representante legal constatou que o imóvel já possuía um registro de compra e venda em nome de uma pessoa jurídica desconhecida pelo casal, que nunca autorizou a negociação, conforme relatado pela delegada Letícia Moreira.
A denúncia levou à deflagração da "Operação Escritura Fria" pela Polícia Civil de Pernambuco. A investigação desvendou um esquema sofisticado envolvendo advogados e despachantes, suspeitos de estelionato, falsificação de documento público, falsidade ideológica e associação criminosa. De acordo com a polícia, a transferência ilegal foi baseada em uma procuração com assinaturas falsificadas, fato confirmado por perícia do Instituto de Criminalística.
Para dar uma aparência de legalidade à transação, a organização criminosa utilizou cartórios em diferentes estados. A procuração falsa foi confeccionada em uma unidade no Rio Grande do Norte, onde um dos advogados investigados é irmão do tabelião, o que, segundo a polícia, pode ter facilitado a emissão do documento. Posteriormente, essa procuração foi usada para registrar a "venda" em um cartório de Olinda, em Pernambuco, e finalizar a transferência em Ipojuca.
A investigação foi batizada de Operação Escritura Fria. Durante a ação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão contra os suspeitos, mas ninguém foi preso.
A polícia investiga um grupo que inclui ao menos dois advogados e dois despachantes. Os nomes não foram divulgados. Um dos advogados é irmão de um tabelião de um cartório no Rio Grande do Norte, o que teria facilitado a fraude.
Até o momento, o terreno continua registrado em nome da empresa que o adquiriu fraudulentamente. O casal está movendo uma ação na Justiça para tentar reverter a transferência e reaver a propriedade do imóvel.
A Operação Escritura Fria segue em andamento para identificar outros possíveis envolvidos e verificar se o mesmo esquema foi utilizado em outros golpes imobiliários. Enquanto a investigação criminal avança, os verdadeiros proprietários do terreno em Porto de Galinhas enfrentam uma batalha judicial para recuperar seu patrimônio de R$ 4,5 milhões.