Nativa do Alasca, a rã-da-madeira congela até 70% do corpo, para o coração e 'ressuscita' na primavera. Entenda como a glicose atua como anticongelante.
Olyvio Marques
Editor · Biologia · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O animal que consegue sobreviver congelado por longos períodos é a rã-da-madeira (Rana sylvatica ou Lithobates sylvaticus), um pequeno anfíbio encontrado nas florestas do Alasca e Canadá. Durante o inverno rigoroso, ela permite que até 70% de seu corpo congele, entrando em um estado de animação suspensa até a chegada da primavera. Atualizado em 22 de junho de 2026.
A sobrevivência da rã-da-madeira a temperaturas que podem chegar a -20°C é possível graças a um sofisticado mecanismo bioquímico. De acordo com diversas fontes, o processo funciona como um sistema de proteção avançado que impede danos celulares fatais.
Ao primeiro toque de cristais de gelo em sua pele, o fígado do anfíbio entra em ação, liberando uma quantidade massiva de glicose (açúcar) na corrente sanguínea. Essa substância, junto com a ureia acumulada nos tecidos, atua como um crioprotetor, ou um anticongelante natural. Segundo o portal Cerqueiras Notícias, essa alta concentração de açúcar impede que a água dentro das células se cristalize, o que as destruiria.
Dessa forma, o gelo se forma apenas nos espaços entre as células, congelando até dois terços da água corporal do animal e o deixando rígido como uma pedra, mas com suas estruturas vitais protegidas.
Durante o congelamento, a rã-da-madeira entra em um estado de morte aparente conhecido como criobiose. Seus sinais vitais cessam completamente: o coração para de bater, a respiração é interrompida e a atividade cerebral desaparece, conforme detalhado por publicações como Jornal Ciência e Brasil 247. Para todos os efeitos, o animal está clinicamente morto.
Nesse estado, o metabolismo é reduzido a quase zero, eliminando a necessidade de comida ou oxigênio. Pesquisas indicam que a rã pode suportar múltiplos ciclos de congelamento e descongelamento ao longo de um único inverno, sem sofrer danos permanentes.
Com a chegada da primavera e o aumento das temperaturas, o processo de "ressurreição" começa. O descongelamento ocorre de dentro para fora. O coração é o primeiro órgão a retomar a atividade, recebendo um impulso elétrico espontâneo e voltando a bater. A circulação sanguínea é restaurada, reidratando as células e limpando o excesso de glicose dos tecidos.
Em questão de horas, o anfíbio que parecia um bloco de gelo inanimado recupera seus movimentos, respiração e consciência, pronto para retomar suas atividades e se reproduzir.
A rã-da-madeira (Rana sylvatica), também conhecida como rã-da-floresta, é um dos exemplos mais notáveis. Este anfíbio pode congelar até 70% de seu corpo durante o inverno em regiões como o Alasca e descongelar na primavera sem sofrer danos.
Seu fígado inunda o corpo com glicose, que, junto com a ureia, atua como um anticongelante natural (crioprotetor). Essa solução impede a formação de cristais de gelo fatais dentro de suas células, protegendo os tecidos vitais.
Sim. Durante o processo de congelamento, o coração da rã-da-madeira para de bater completamente, sua respiração cessa e não há atividade cerebral detectável, colocando-a em um estado de animação suspensa até o degelo.
A rã-da-madeira representa um feito extraordinário de adaptação biológica. Sua capacidade de gerenciar o congelamento e o descongelamento de forma controlada não apenas garante sua sobrevivência em ambientes extremos, mas também inspira pesquisas científicas em áreas como a criopreservação de órgãos para transplantes, conforme apontado pelo Jornal Ciência.
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