Descubra como o peixe-pulmonado africano usa pulmões e um casulo de muco para sobreviver por anos enterrado na lama durante a seca. Conheça sua incrível adaptação.
Olyvio Marques
Editor · Biologia · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O peixe-pulmonado africano (gênero Protopterus) é um animal que consegue sobreviver a longos períodos de seca enterrando-se na lama, respirando ar com pulmões e entrando em um estado de dormência chamado estivação. Atualizado em 12 de setembro de 2026.
Quando rios e lagos começam a secar, o peixe-pulmonado africano inicia um processo de sobrevivência único. Ele cava uma toca vertical no lodo e se posiciona dentro dela. Em seguida, o animal secreta um muco especial que, em contato com o ar, endurece e forma um casulo protetor ao redor do seu corpo, conforme descrito por diversas fontes. Este casulo impede a desidratação e possui uma pequena abertura conectada à superfície, essencial para a respiração.
Dentro desta câmara, o peixe entra em estivação, um estado de animação suspensa onde seu metabolismo é drasticamente reduzido. A frequência cardíaca diminui e o consumo de oxigênio despenca a níveis mínimos, permitindo que ele conserve energia até o retorno das chuvas.
Durante a vida aquática ativa, o peixe-pulmonado utiliza tanto brânquias quanto pulmões primitivos. No entanto, durante a estivação, suas brânquias perdem quase toda a função, e os pulmões se tornam mais vascularizados, assumindo a responsabilidade total pela troca gasosa, segundo pesquisas. O animal passa a depender exclusivamente do ar atmosférico que entra pela abertura do casulo. Essa adaptação é tão crucial que, se impedido de chegar à superfície, o peixe pode se afogar.
A duração da estivação na natureza geralmente corresponde ao período de estiagem, que pode durar de sete a oito meses. Contudo, em condições excepcionais ou experimentais, foi registrado que o peixe-pulmonado africano pode sobreviver por períodos muito mais longos. Fontes científicas citam a capacidade de permanecer neste estado por até quatro anos, aguardando pacientemente o reabastecimento de seu habitat.
Durante a estivação, o peixe não se alimenta. Para obter a energia mínima necessária para manter as funções vitais, seu organismo digere lentamente o músculo da própria barbatana caudal, em um processo de autoconsumo controlado.
Sim, a piramboia (Lepidosiren paradoxa) é a única espécie de peixe pulmonado encontrada no Brasil, habitando as bacias Amazônica e do Prata. Assim como seu parente africano, ela também se enterra na lama durante a seca e entra em estivação, embora estudos sugiram que seu período de resistência seja menor, em torno de seis meses.
Os peixes pulmonados são considerados "fósseis vivos" e oferecem pistas valiosas sobre a transição evolutiva dos vertebrados da água para a terra. Estudar seus mecanismos de sobrevivência, como a respiração aérea e a dormência prolongada, ajuda os cientistas a compreender como os primeiros anfíbios podem ter evoluído de ancestrais de peixes com nadadeiras lobadas.
A capacidade do peixe-pulmonado africano de sobreviver em condições que seriam fatais para a maioria das espécies aquáticas é um exemplo notável de adaptação. A combinação de comportamento (enterrar-se), fisiologia (casulo de muco e respiração pulmonar) e metabolismo reduzido (estivação) permite que ele atravesse as secas mais severas, emergindo quando a água finalmente retorna.
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