Contratação da atriz para criticar a proposta de autonomia financeira do Banco Central foi autorizada por diretoria regional e expõe racha interno. Saiba mais.
Olyvio Marques
Editor · Política · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A atriz Luana Piovani foi contratada por R$ 300 mil pelo Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal) para gravar um vídeo criticando a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê autonomia financeira e administrativa para a instituição. Atualizado em 26 de junho de 2026.
O pagamento foi autorizado pela diretoria do conselho regional do Sinal no Distrito Federal em 9 de junho, mesmo dia em que Piovani publicou o vídeo em seu Instagram com a hashtag #publi, indicando o conteúdo patrocinado. A ação, financiada com contribuições dos servidores, expôs uma profunda divisão interna na categoria sobre o futuro do Banco Central.
A decisão de contratar a atriz foi formalizada em uma reunião virtual do conselho do Sinal-DF. Segundo a ata do encontro, a presidente Edna Velho defendeu a necessidade de uma "atuação mais incisiva" nas redes sociais contra os "riscos da PEC". A escolha de Piovani foi justificada por sua "atuação pública em manifestações relacionadas a temas de interesse social", conforme noticiado pela Folha de S. Paulo.
A proposta foi aprovada por cinco votos favoráveis e uma abstenção, com um limite de R$ 300 mil. Documentos também revelam que o sindicato já havia destinado outros R$ 500 mil para a campanha contra a PEC, incluindo a contratação de um escritório de advocacia por R$ 250 mil e outros R$ 250 mil para ampliar a divulgação.
A PEC 65/2023, aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado em 10 de junho, propõe alterar a natureza jurídica do Banco Central de autarquia pública para "entidade pública de natureza especial". O objetivo é conceder à instituição autonomia orçamentária, financeira e administrativa.
Versões iniciais da proposta geraram polêmica ao sugerir a mudança do regime de trabalho dos servidores para CLT, mas o texto atual mantém o regime estatutário e a remuneração sujeita ao teto do funcionalismo público.
A contratação de Piovani evidenciou um racha entre os funcionários do Banco Central. De um lado, o Sinal se opõe à PEC, enquanto de outro, a Associação Nacional dos Auditores do Banco Central (ANBCB) a defende.
O sindicato argumenta que a proposta abre portas para a "captura regulatória" do BC por bancos e pelo mercado financeiro. Além disso, teme que a diretoria possa criar ou extinguir carreiras sem a necessidade de aprovação do Legislativo. O Sinal se baseia em uma assembleia de 2024, na qual 74% dos participantes rejeitaram a proposta.
A associação, presidida por Thiago Cavalcanti, afirma que a versão atual do texto protege as carreiras e concede a autonomia necessária para o bom funcionamento da instituição. Eles defendem que a medida pode aproximar as remunerações do BC às da Receita Federal e que a votação de 2024 serviu para pressionar por um texto melhor, não refletindo a opinião atual da maioria.
Luana Piovani recebeu R$ 300 mil do conselho regional do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal-DF) para gravar e publicar um vídeo contra a PEC da autonomia financeira.
É uma Proposta de Emenda à Constituição que busca transformar o Banco Central em uma "entidade pública de natureza especial", concedendo-lhe autonomia orçamentária, financeira e administrativa, sem alterar o regime de trabalho dos servidores na versão atual.
A polêmica surgiu pelo alto valor pago com contribuições de sindicalizados e por expor uma profunda divisão entre os próprios servidores do Banco Central, com uma parte apoiando a PEC que a liderança do sindicato combate publicamente.
A contratação de Luana Piovani pelo sindicato dos servidores do BC por R$ 300 mil para se opor à PEC da autonomia financeira não apenas trouxe o debate técnico para as redes sociais, mas também revelou um racha significativo dentro da própria instituição. Enquanto o Sinal investe em campanhas de comunicação, parte da categoria defende a proposta, criando um impasse sobre os rumos da autoridade monetária do país.
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