Senadores eleitos pelo Paraná, Filipe Barros e Deltan Dallagnol rejeitam acordos como aposentadoria antecipada e defendem impeachment e reforma do Judiciário.
Olyvio Marques
Editor · Política · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Os senadores eleitos pelo Paraná, Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo), rejeitaram qualquer possibilidade de uma "saída negociada", como a aposentadoria antecipada, para evitar o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Atualizado em 15 de outubro de 2026, a posição foi reforçada durante um evento em Porto Alegre, onde ambos afirmaram que a pauta é uma promessa de campanha e, portanto, "inegociável".
Questionado sobre um possível acordo envolvendo ministros do STF, Filipe Barros foi categórico ao afirmar que "não existe esse tipo de negociação". Segundo o senador eleito, a principal pauta da eleição foi a atuação dos senadores frente aos que considera "abusos que o Supremo está cometendo".
Barros destacou que, além do impeachment, seu compromisso inclui a aprovação de uma reforma abrangente do Poder Judiciário. "Nós precisamos rediscutir qual Supremo Tribunal Federal nós queremos", declarou em entrevista, defendendo a criação de mandatos para ministros e a exigência de que os indicados sejam magistrados de carreira.
Deltan Dallagnol seguiu a mesma linha, afirmando que o caminho para a destituição de ministros é a aplicação da lei. "A lei tem que voltar a valer no Brasil. Se a lei voltar a valer no Brasil, vai ter impeachment de ministro", disse ele. Dallagnol argumentou que a medida não se trata de "vingança ou retaliação", mas de "restabelecer a ordem e a justiça no nosso país".
O senador eleito, que ainda enfrenta uma indefinição sobre sua própria elegibilidade no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), classificou decisões recentes da Justiça Eleitoral como "arbitrárias e abusivas".
A posição dos senadores paranaenses reflete um movimento mais amplo dentro do PL, que se tornará a maior bancada do Senado em 2027, com 28 parlamentares. A principal bandeira de muitos dos eleitos é a responsabilização de ministros do STF. Para que os pedidos de impeachment avancem, no entanto, é crucial o controle da presidência do Senado, que será decidida em fevereiro de 2027.
O presidente da Casa tem a prerrogativa de pautar ou arquivar os pedidos de impeachment. Integrantes da oposição consideram que a eleição para o comando do Senado é o primeiro passo para criar as condições políticas necessárias para a análise dos processos.
Eles alegam que ministros do Supremo cometeram "abusos de poder" e "crimes de responsabilidade". A defesa do impeachment foi uma das principais bandeiras de suas campanhas eleitorais, sendo apresentada como um compromisso com seus eleitores.
A reforma inclui propostas como a criação de mandatos fixos para ministros do STF, a exigência de que indicados sejam juízes de carreira e a criação de regras mais rígidas para o controle de constitucionalidade, limitando a capacidade da Corte de legislar.
O processo depende do presidente do Senado Federal. É ele quem recebe as denúncias e decide se dará ou não andamento inicial aos processos, tornando a eleição para o comando da Casa um ponto estratégico para a oposição.
A recusa de Filipe Barros e Deltan Dallagnol a qualquer tipo de acordo sinaliza uma postura firme que deve marcar o início da nova legislatura no Senado. A promessa de buscar o impeachment de ministros do STF e de promover uma reforma no Judiciário está diretamente ligada à disputa pelo controle político da Casa, que definirá a viabilidade dessas pautas a partir de 2027.
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