Ministro substitui Gilmar Mendes em agosto e herda pauta marcada por divergências com André Mendonça na Operação Compliance Zero. Entenda o impacto.
Olyvio Marques
Editor · Política · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O ministro Luiz Fux será o próximo presidente da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), assumindo o posto em agosto no lugar do ministro Gilmar Mendes. Atualizado em 29 de junho de 2026. A mudança, que segue o rodízio regimental da Corte, ocorre em um momento de alta tensão envolvendo as investigações do Caso Master e as divergências públicas entre Mendes e o relator do caso, ministro André Mendonça.
A transição na presidência da Segunda Turma acontece em um cenário de conflito sobre a condução da Operação Compliance Zero, que investiga um esquema de corrupção e fraude bilionária no banco Master. Conforme noticiado pelo Estadão, Gilmar Mendes tem feito críticas aos métodos de André Mendonça, comparando-os a "tristes reminiscências da Operação Lava Jato" e questionando os fundamentos de prisões preventivas.
A tensão escalou no último dia 16, quando Mendes incluiu de forma repentina na pauta o julgamento sobre a soltura de Henrique e Felipe Vorcaro, pai e primo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master. Em resposta, Mendonça retirou o sigilo de duas investigações, justificando que a sociedade precisava compreender o que estava em jogo, segundo o Jornal de Brasília.
A sessão que analisou a liberdade dos Vorcaro foi marcada por um embate direto. Gilmar Mendes defendeu a flexibilização das prisões, argumentando que a medida poderia ser usada para pressionar os réus a firmar acordos de delação. "Quando um acordo é celebrado em ambiente de pressão há a completa erosão da voluntariedade", afirmou Mendes. Ele, no entanto, foi voto vencido.
Por 3 a 1, a Turma decidiu manter os réus presos. Mendonça rebateu as comparações com a Lava Jato, afirmando que o caso é "mais do que um crime de colarinho branco" e tem "contornos de máfia", citando indícios de condutas violentas do grupo investigado.
Com Luiz Fux na presidência, a expectativa é que a condução dos julgamentos da Segunda Turma se torne mais alinhada à relatoria de André Mendonça. Cabe ao presidente do colegiado definir a pauta e o momento em que os processos são levados a julgamento, inclusive após pedidos de vista. Fux passou a integrar a Segunda Turma em outubro de 2025, após ser transferido da Primeira Turma para a vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso.
A mudança segue o sistema de rodízio previsto no Regimento Interno do STF. Pelas regras, cada Turma é presidida por um de seus cinco integrantes durante um ano, sem possibilidade de recondução, obedecendo ao critério de antiguidade entre os que ainda não exerceram a função.
A tensão se deve a visões opostas sobre a condução da Operação Compliance Zero. Mendes critica os métodos investigativos, como as prisões preventivas, enquanto Mendonça, relator do caso, defende a firmeza das ações contra um esquema que ele descreve como tendo "contornos de máfia".
A disputa se intensificou durante o julgamento do pedido de soltura de Henrique e Felipe Vorcaro, pai e primo de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e dono do banco Master, principal alvo da investigação sobre fraudes bilionárias.
A chegada de Luiz Fux à presidência da Segunda Turma é um movimento regimental padrão, mas seu impacto pode ser significativo. Em um colegiado marcado por recentes embates sobre o Caso Master, a nova liderança tem o potencial de alterar o ritmo e a condução dos julgamentos, realinhando a pauta à relatoria do ministro André Mendonça em um dos casos mais sensíveis da Corte atualmente.
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