Kevin Marques, advogado de 25 anos e filho do ministro do STF, acumulou patrimônio milionário em fundos de investimento. Entenda a origem dos recursos e seus clientes.
Olyvio Marques
Editor · Política · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O advogado Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques, acumulou R$ 27,7 milhões em fundos de investimento em pouco mais de dois anos de carreira. A informação, atualizada em 9 de julho de 2026, foi revelada por documentos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) enviados à CPI do Crime Organizado do Senado, segundo reportagem da Folha de S. Paulo.
De acordo com os documentos da CVM, Kevin Marques, de 25 anos, já possuía cerca de R$ 5 milhões em um fundo de renda fixa do Banco do Brasil em agosto de 2025. No segundo semestre do mesmo ano, ele realizou uma nova aplicação de R$ 22,4 milhões em outro fundo, elevando seu patrimônio investido para o total de R$ 27,7 milhões até o final de 2025.
As informações financeiras, por si só, não indicam irregularidades nas aplicações ou no acúmulo de patrimônio, conforme apontado pelas apurações jornalísticas.
Kevin Marques obteve sua licença da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em fevereiro de 2024 e abriu seu escritório seis meses depois. Em pouco tempo, passou a representar clientes de grande porte, com atuação concentrada no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), corte onde seu pai atuou como juiz antes de ser nomeado para o STF.
Entre seus clientes estão a Refit, do empresário Ricardo Magro, e o Grupo Petrópolis, dono da cerveja Itaipava. Em um dos casos, o advogado conseguiu uma liminar favorável à Refit, suspendendo uma interdição da Refinaria de Manguinhos pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), conforme noticiado pelo jornal O Globo.
O advogado também prestou serviços para a Consult Inteligência Tributária. Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) revelou que a consultoria recebeu R$ 6,6 milhões do Banco Master e R$ 11,3 milhões da JBS entre agosto de 2024 e julho de 2025. No mesmo período, o Coaf identificou repasses de R$ 281,6 mil da Consult para o escritório de Kevin Marques, que afirmou que os valores se referem a serviços de assessoria jurídica.
Procurado, Kevin Marques afirmou, por meio de sua assessoria, que os recursos estão devidamente declarados à Receita Federal, tanto na pessoa física quanto na jurídica. A defesa também ressaltou que o advogado "não advoga no STF".
A JBS, por sua vez, declarou que contrata consultorias especializadas para suporte técnico e que os pagamentos à Consult referem-se a serviços de auditoria fiscal, sem qualquer relação ou ingerência sobre terceiros contratados pela consultoria.
Kevin de Carvalho Marques acumulou R$ 27,7 milhões em fundos de investimento em pouco mais de dois anos de advocacia, de acordo com documentos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Não. A assessoria do advogado informou que ele não atua em processos que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF), onde seu pai, Kassio Nunes Marques, é ministro.
A origem específica dos R$ 27,7 milhões não foi detalhada pelo advogado. Sua receita provém da atuação para clientes como Refit e Grupo Petrópolis, além de serviços prestados a uma consultoria contratada por JBS e Banco Master. A defesa afirma que todos os valores foram declarados à Receita Federal.
O rápido acúmulo de patrimônio por Kevin Marques ocorre em um contexto de debate sobre a atuação profissional de parentes de ministros de cortes superiores. Uma pesquisa da FGV de 2024 mostrou que apenas 1% dos advogados com menos de três anos de formação ganha mais de 20 salários mínimos. Embora a defesa de Kevin afirme não haver irregularidades, o caso joga luz sobre os contratos firmados por advogados com laços familiares no Judiciário.
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