Investigação da Polícia Federal apura elo entre mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o transporte de uma sacola com dinheiro em voo para Brasília. Entenda a suspeita de corrupção e a correção de datas no inquérito.
Olyvio Marques
Editor · Política · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A Polícia Federal (PF) investiga um suposto repasse de R$ 350 mil em espécie do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, para o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Atualizado em 25 de junho de 2026, o inquérito cruza mensagens sobre o pagamento, o depoimento de um piloto e registros de um voo que transportou uma sacola com dinheiro de São Paulo para Brasília.
A investigação, que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), se baseia em um conjunto de indícios que, para a PF, sugerem a prática de corrupção. Os elementos foram detalhados em relatórios que tiveram o sigilo levantado pelo ministro André Mendonça, conforme noticiado pela CNN Brasil e outros veículos.
Um dos pilares da apuração é uma troca de mensagens entre Daniel Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel. Nelas, o ex-banqueiro teria escrito "resolve ciro" e "manda lá agora". Em resposta, Zettel encaminhou uma lista de pagamentos pendentes que incluía a anotação "Espécie Ciro 350k", o que a PF interpreta como uma referência ao pagamento em dinheiro vivo para o senador.
O piloto Mauro Caputti Mattosinho relatou à PF ter transportado uma sacola de papel que, segundo ele, continha "grana". De acordo com seu depoimento, um dos passageiros do voo era o empresário Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como "Beto Louco", que é investigado em outro esquema de lavagem de dinheiro. O piloto afirmou ter ouvido Leme da Silva mencionar o nome de Ciro Nogueira, dizendo que "estava tudo certo" e que o parlamentar já os aguardava em Brasília.
Inicialmente, os investigadores haviam associado as mensagens sobre o pagamento ao voo que transportou a sacola, indicando que ambos ocorreram na mesma data. Contudo, a própria Polícia Federal enviou uma retificação ao STF, corrigindo um erro na cronologia dos fatos, como reportou o portal Brasil 247.
A PF destacou no documento que a correção não invalida as linhas de investigação, mas afasta a coincidência temporal que ligava diretamente os dois episódios. Ambos os fatos continuam sendo apurados de forma separada no inquérito.
A PF suspeita que o senador tenha cometido o crime de corrupção passiva ao supostamente receber R$ 350 mil em espécie do empresário Daniel Vorcaro. A investigação também apura corrupção ativa por parte de Vorcaro.
Daniel Vorcaro é um empresário e ex-banqueiro, antigo controlador do Banco Master. Ele é alvo da Operação Compliance Zero, que investiga suas relações políticas e empresariais.
A PF corrigiu a data das mensagens sobre o pagamento, que ocorreram em 2025, um ano após o voo com a sacola de dinheiro em 2024. A correção desfez a ligação temporal direta que havia sido apontada inicialmente entre os dois eventos.
A investigação sobre o suposto repasse de R$ 350 mil a Ciro Nogueira segue em andamento no STF. Embora a Polícia Federal tenha corrigido a cronologia que ligava diretamente as mensagens ao voo, ambos os eventos continuam sob apuração como indícios de uma possível relação ilícita entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o senador.
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