Entenda o caso do desvio de R$ 48,7 milhões na compra de 300 respiradores pelo Consórcio Nordeste em 2020. Equipamentos nunca foram entregues.
Olyvio Marques
Editor · Política · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A Controladoria-Geral da União (CGU), em conjunto com a Polícia Federal (PF), segue na apuração de um desvio de R$ 48,7 milhões relacionado à compra de 300 respiradores pelo Consórcio Nordeste em abril de 2020, no auge da pandemia de Covid-19. Os equipamentos, essenciais para o tratamento de casos graves da doença, nunca foram entregues. Atualizado em 22 de junho de 2026.
Em abril de 2020, o Consórcio Interestadual de Desenvolvimento Sustentável do Nordeste, então presidido pelo governador da Bahia, Rui Costa (PT), realizou um pagamento antecipado de R$ 48.748.575,82 à empresa Hempcare para a aquisição de 300 ventiladores pulmonares. Segundo a CGU, a contratação ocorreu por dispensa de licitação, sem justificativa para a escolha da empresa, que comercializava produtos à base de cannabis e não possuía experiência ou capacidade para cumprir o contrato.
Apesar do pagamento integral e antecipado, os respiradores nunca chegaram aos estados. Documentos da investigação apontam que uma nota de liquidação de empenho, assinada pelo então secretário-executivo do consórcio, Carlos Gabas, atestava que os equipamentos "foram entregues em perfeitas condições", o que nunca ocorreu.
A apuração do caso, conduzida pela CGU e pela PF, resultou na Operação Cianose. A investigação revelou um esquema criminoso envolvendo lobistas, empresários e agentes públicos. De acordo com as investigações, do valor total pago, R$ 12 milhões foram repassados como "comissão" para intermediários do negócio, o que equivale a 25% do contrato.
A operação cumpriu 14 mandados de busca e apreensão na Bahia, Distrito Federal, Rio de Janeiro e São Paulo, com o objetivo de punir os responsáveis e recuperar os recursos públicos desviados. O prejuízo aos cofres públicos corresponde ao valor integral do contrato, que não foi restituído após a fraude.
O valor total desviado foi de R$ 48.748.575,82, pago de forma antecipada pelo Consórcio Nordeste para a compra de 300 respiradores que nunca foram fornecidos.
Não. Nenhum dos 300 ventiladores pulmonares foi entregue, apesar de um documento oficial do consórcio afirmar o contrário. A não entrega dos equipamentos impactou nove estados, que abrangem quase 60 milhões de pessoas, durante um período crítico da pandemia.
A empresa contratada foi a Hempcare, um pequeno negócio com apenas dois funcionários na época, cujo ramo de atividade era a comercialização de produtos à base de canabidiol, sem qualquer experiência na área de equipamentos médicos.
A investigação da CGU e da Polícia Federal sobre a fraude no Consórcio Nordeste continua em andamento. O caso representa um dos maiores escândalos de desvio de recursos públicos destinados ao combate da pandemia de Covid-19, e as autoridades seguem trabalhando para responsabilizar os envolvidos e reaver os R$ 48,7 milhões pagos por equipamentos que nunca chegaram para salvar vidas.
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