Um Citroën BX 16RS de 1983, com 76 mil km, foi encontrado em um celeiro após 38 anos. Saiba por que seu dono, um engenheiro do projeto Thrust 2, o abandonou.
Olyvio Marques
Editor · Mobilidade · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Um Citroën BX 16RS de 1983, que pertenceu a um engenheiro da Força Aérea Real Britânica (RAF) envolvido no projeto do carro mais rápido do mundo, foi encontrado abandonado em um celeiro na Inglaterra após quase quatro décadas. Atualizado em 22 de junho de 2026, o achado com apenas 76.000 quilômetros rodados guarda uma história que conecta os extremos da engenharia automotiva.
A história do carro é inseparável da de seu proprietário, John Watkins, um engenheiro da RAF que participou do projeto Thrust 2. Em outubro de 1983, enquanto Watkins ajudava a desenvolver o veículo a jato que bateria o recorde mundial de velocidade em terra, atingindo 1.047,49 km/h no deserto de Black Rock, nos EUA, ele comprou um modesto Citroën BX 16RS para uso familiar, conforme relatado por múltiplos veículos de imprensa.
O contraste é notável: o engenheiro que trabalhou em uma máquina com motor Rolls-Royce de mais de 1.000 km/h escolheu para seu dia a dia um hatchback com motor de 92 cavalos e velocidade máxima de 176 km/h. Esse detalhe torna o achado mais do que apenas um carro antigo, mas uma cápsula do tempo de uma figura histórica da engenharia.
Após usar o carro por cerca de cinco anos, Watkins o guardou em um celeiro em 1988 com uma intenção específica: presenteá-lo à sua filha quando ela tirasse a carteira de motorista. No entanto, o plano nunca se concretizou. O engenheiro faleceu no final de 2024, e o Citroën permaneceu esquecido no mesmo local, como apurado pelo site O Antagonista.
Durante 38 anos, o veículo acumulou poeira, ferrugem e umidade. O jornalista Jonny Smith, do programa "The Late Brake Show", documentou o resgate e encontrou o carro em estado de deterioração, com danos causados por roedores no compartimento do motor e até uma roda faltando.
A primeira tentativa de ligar o motor do Citroën BX falhou. Apesar dos esforços de um mecânico, que verificou a correia e limpou componentes, a bateria fraca e as conexões elétricas corroídas impediram a partida. A cena foi registrada em vídeo e mostra a dificuldade de reanimar um veículo parado por tanto tempo.
Agora, a família de Watkins espera que um entusiasta de carros clássicos se interesse pelo projeto e assuma a complexa restauração. Embora o valor de mercado possa não justificar o custo, o valor histórico do carro é inegável, representando uma peça rara ligada a um marco da velocidade mundial.
O proprietário era John Watkins, um engenheiro da Força Aérea Real Britânica (RAF) que esteve envolvido no desenvolvimento do Thrust 2, o carro que quebrou o recorde mundial de velocidade em terra em 1983.
O Thrust 2 foi um veículo movido a um motor a jato Rolls-Royce, projetado para quebrar o recorde de velocidade em terra. Ele atingiu a marca oficial de 1.047,49 km/h em 1983 no deserto de Black Rock, Nevada (EUA).
A Citroën produziu mais de 2,3 milhões de unidades do BX, mas o modelo tornou-se raro. Dados do Reino Unido indicam que apenas 194 exemplares estão em circulação no país, segundo o Click Petróleo e Gás. Este, com sua história documentada e baixa quilometragem, é ainda mais especial.
O Citroën BX 16RS de 1983 encontrado em um celeiro é mais do que um carro antigo abandonado. É um testemunho sobre rodas, conectando a praticidade de um hatchback familiar à ambição de superar os 1.000 km/h. Sua história, preservada sob camadas de poeira por 38 anos, agora aguarda um novo capítulo nas mãos de um restaurador que valorize sua alma e legado.
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