Santos enfrenta o avanço do mar com um plano de R$ 200 milhões do BNDES. Saiba como o projeto vai modernizar a drenagem e proteger 200 mil moradores.
Olyvio Marques
Editor · Brasil · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A cidade de Santos, no litoral de São Paulo, famosa por seus "prédios tortos", receberá um financiamento de R$ 200 milhões do BNDES para um ambicioso plano de adaptação climática. O projeto visa conter o avanço do mar, reduzir alagamentos e modernizar a drenagem urbana, beneficiando diretamente mais de 200 mil moradores. Atualizado em 22 de abril de 2026.
A inclinação dos edifícios na orla de Santos é um problema que se agravou com as mudanças climáticas. Atualmente, a prefeitura monitora 65 prédios com desaprumo, concentrados nos bairros Gonzaga, Boqueirão, Embaré e Aparecida. O fenômeno é resultado de dois fatores principais: fundações rasas utilizadas em construções das décadas de 1950 a 1970 e o solo de argila mole da região.
A situação é intensificada pelo avanço do mar, que na costa paulista ocorre em um ritmo três vezes superior à média global, segundo estudos citados em reportagens. Essa elevação aumenta o nível do lençol freático, o que compromete ainda mais a estabilidade das fundações antigas.
O recurso, proveniente do Fundo Clima do BNDES, será aplicado principalmente na Macrozona Leste da cidade, uma área de alta densidade populacional e comercial. As principais frentes de investimento incluem:
A aprovação do financiamento é apenas o primeiro passo. A liberação dos R$ 200 milhões depende de uma série de etapas burocráticas e técnicas. Conforme explicado pela prefeitura de Santos, o processo inclui a elaboração de projetos básico e executivo, licenciamento ambiental e a aprovação da Câmara Municipal. A previsão é que as primeiras obras estruturais comecem em um prazo de quatro a cinco anos.
Não diretamente. O plano de R$ 200 milhões prevê a realização de estudos técnicos sobre os edifícios. A solução para o reaprumo das estruturas está sendo discutida em paralelo, através de uma proposta de financiamento privado que permitiria aos condomínios acessarem crédito para as obras de engenharia necessárias.
A situação é considerada grave. A região registrou uma elevação do nível do mar de cerca de 30 centímetros nos últimos 100 anos, enquanto a média global no mesmo período foi de aproximadamente 10 centímetros. Esse avanço acelera a erosão da praia e aumenta a frequência e a intensidade dos alagamentos.
O projeto deve beneficiar diretamente mais de 200 mil moradores, o que equivale a cerca de metade da população de Santos. As obras visam melhorar a qualidade de vida, proteger o patrimônio urbano e fortalecer a economia local, incluindo o turismo.
O investimento de R$ 200 milhões do BNDES representa um passo fundamental para garantir a resiliência de Santos frente aos desafios climáticos. Embora não seja uma solução imediata, o plano estrutura uma resposta de longo prazo para problemas históricos de infraestrutura e para as ameaças crescentes do avanço do mar, protegendo a cidade e seus habitantes para as próximas décadas.
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