Aos 25 anos, Helen Jaine Gomes Borgens, da comunidade do Retiro (GO), faz história ao tomar posse no Itamaraty. Conheça sua trajetória e o marco para a diversidade.
Olyvio Marques
Editor · Brasil · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Helen Jaine Gomes Borgens, de 25 anos, tornou-se a primeira pessoa de origem quilombola a ser aprovada no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD) em uma vaga específica para essa população. Atualizado em 6 de novembro de 2026, este é um marco histórico para a diplomacia brasileira. Integrante da comunidade quilombola do Retiro, em Simolândia (GO), ela tomou posse como terceira-secretária no Ministério das Relações Exteriores, em Brasília, no dia 4 de novembro.
Nascida em Goiânia, Helen cresceu na comunidade quilombola do Retiro, no nordeste de Goiás. Formou-se em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Goiás (UFG) em 2025. Segundo relatos, seu interesse pela carreira diplomática surgiu em 2017, incentivado por um professor de história durante a preparação para o vestibular.
Apesar de ter considerado abandonar o curso, uma disciplina sobre Política Externa Brasileira reacendeu sua paixão pela área, consolidando seu objetivo de ingressar no Itamaraty. Em entrevista à UFG, ela expressou a honra de representar uma categoria com pouca voz e visibilidade.
Após concluir a graduação, Helen retornou a Simolândia para se dedicar integralmente aos estudos para o concurso, um dos mais concorridos do serviço público brasileiro. Sua preparação foi marcada por desafios, como a falta de acesso a cursos preparatórios e professores especializados na região.
Diante das limitações, ela organizou sua própria rotina de estudos de forma autodidata, aprofundando-se nas disciplinas exigidas e no aprendizado de idiomas por conta própria. "Era eu e Deus", afirmou em entrevista ao SP Diário, descrevendo seu processo de preparação.
A aprovação de Helen ocorreu no primeiro concurso para a diplomacia realizado sob a vigência da Lei nº 15.142/2025, que ampliou a política de cotas em concursos federais para incluir vagas reservadas a pessoas indígenas e quilombolas. Sua conquista representa um avanço significativo para a inclusão de comunidades tradicionais em espaços de poder.
A nova turma de 60 diplomatas do Instituto Rio Branco é a mais diversa da história, com 27 integrantes de grupos historicamente sub-representados. Além de Helen, a turma inclui:
Antes de servirem no exterior, os novos diplomatas passarão por um curso de formação no Instituto Rio Branco, em Brasília. A remuneração inicial para o cargo é de R$ 22.558.
A aprovação de Helen Borgens é um marco histórico que simboliza um avanço na representatividade e diversidade dentro da diplomacia brasileira. É a primeira vez que uma vaga reservada para quilombolas é preenchida, abrindo caminho para maior inclusão de comunidades tradicionais em um dos mais altos escalões do serviço público.
Foi o Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD) de 2026, o primeiro realizado sob a nova lei de cotas (Lei nº 15.142/2025). O certame ofereceu 60 vagas, com reservas específicas de uma vaga para quilombolas e duas para indígenas.
De acordo com as informações do concurso, o salário inicial para o cargo de terceiro-secretário, posição de entrada na carreira diplomática, é de R$ 22.558.
A posse de Helen Jaine Gomes Borgens não é apenas uma conquista pessoal, mas um evento transformador para o Brasil. Sua jornada, marcada pela dedicação e superação de barreiras, inspira e reforça a importância de políticas de inclusão para construir uma representação mais fiel da sociedade brasileira nos cenários nacional e internacional.
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