Nascimento de Iara, filha do casal trans Daniel Valentim e Gisele Castro, marca a história da saúde na Paraíba. Conheça a jornada por um parto respeitoso.
Olyvio Marques
Editor · Brasil · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O nascimento da pequena Iara, em junho de 2026, representa um marco histórico para a saúde pública da Paraíba. Ela é a primeira bebê gerada por um homem trans, Daniel Valentim, a nascer na rede estadual. O parto ocorreu no Hospital da Mulher D. Creuza Pires, em João Pessoa. Atualizado em 28 de junho de 2026.
A chegada de Iara, filha de Daniel e de sua esposa, a mulher trans Gisele Castro, foi celebrada no Dia do Orgulho LGBT (28 de junho) e simboliza a realização de um sonho para o casal, além de um avanço no atendimento humanizado e inclusivo no sistema de saúde.
Moradores de Esperança, Daniel e Gisele iniciaram o pré-natal em Campina Grande. A gestação foi classificada como de alto risco após um diagnóstico de trombose, segundo o G1. No entanto, Daniel sentia desconforto e medo de preconceito na unidade, o que se intensificou ao saber que o parto seria realizado pelo médico plantonista, e não pela obstetra que o acompanhava.
A busca por um ambiente mais seguro os levou ao Hospital da Mulher, em João Pessoa, já conhecido pelo acolhimento à população trans, realizando cirurgias como mastectomia. A decisão se mostrou acertada. "Foi um parto cercado de amor e respeito, um momento que jamais vamos esquecer”, afirmou Daniel, conforme reportagem do Jornal da Paraíba.
A equipe hospitalar garantiu que a família vivenciasse o protocolo da "Hora Ouro", que incentiva o contato pele a pele do recém-nascido com os pais, fortalecendo o vínculo afetivo desde os primeiros minutos de vida de Iara.
Para que a gravidez fosse possível, Daniel precisou interromper o tratamento com hormônios masculinizantes. Gisele Castro explicou ao G1 que essa pausa pode gerar disforia, um profundo desconforto com o retorno de características corporais anteriores à transição. O casal já havia tentado engravidar em 2023, e a gestação de Iara se concretizou no final de 2025.
A chegada de Iara foi recebida com alegria pela família do casal. Para Gisele, o nascimento reforça uma mensagem importante para a sociedade. “A gente quer falar para a sociedade que família tem a ver com amor, respeito e união. Então, se você tem aí esses três ingredientes, você tem uma família”, declarou ela em entrevista.
O parto ocorreu no Hospital da Mulher D. Creuza Pires, em João Pessoa, uma unidade de referência estadual em gestação de alto risco e conhecida pelo atendimento humanizado à população trans.
Um homem trans que não realizou a remoção do útero e ovários pode engravidar. Para isso, é necessário interromper a terapia hormonal masculinizante para que o ciclo menstrual e a ovulação sejam retomados, permitindo a gestação.
Este é um marco histórico para a inclusão e a visibilidade de famílias trans no Brasil. O evento demonstra a capacidade do Sistema Único de Saúde (SUS) de oferecer um atendimento qualificado, respeitoso e humanizado para todas as configurações familiares.
O nascimento de Iara não é apenas a realização de um sonho para Daniel e Gisele, mas também um símbolo de progresso para a saúde pública na Paraíba e para os direitos da comunidade LGBTQIA+. A história do casal destaca a importância do acolhimento e do respeito no sistema de saúde, reafirmando que a base de uma família é o amor.
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