Juan, 72, e Antolina, 74, estão juntos há meio século, mas em casas diferentes. Entenda a rotina de amor e parceria a 3.500 metros de altitude nos Andes.
Olyvio Marques
Editor · Argentina · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Uma história de amor e resiliência se desenrola a 3.500 metros de altitude nos Valles Calchaquíes, na província de Salta, Argentina. Atualizado em 29 de outubro de 2026. Juan, de 72 anos, e Antolina, de 74, estão juntos há mais de 50 anos, mas com uma particularidade: cada um vive em sua própria casa, em montanhas diferentes. Todos os dias, Juan caminha de 20 a 30 minutos para encontrar sua esposa e ajudá-la nas tarefas do campo.
A decisão de morar em casas distintas não se deve a nenhum desentendimento. Quando se conheceram, há mais de meio século, cada um já possuía seu próprio "puesto" — como são chamadas as moradias rústicas na montanha — e optaram por mantê-los. Segundo relatos da imprensa argentina, eles brincam que a distância ajuda a evitar discussões nos dias de mau humor. "Vivimos separados para no andar peleando. Así, nos llevamos mejor", afirmam, entre risos.
A história do casal começou na juventude, logo após Juan retornar do serviço militar na Terra do Fogo, conforme relatado pelo youtuber Sergio Caballero, que documentou a vida deles. A escolha de manter as residências separadas foi uma decisão natural para preservar o estilo de vida que cada um já tinha.
A rotina do casal é marcada pela parceria e pelo trabalho. Todas as manhãs, Juan, acompanhado de seu cachorro, percorre o caminho até a casa de Antolina. Juntos, eles levam as cabras e ovelhas para pastar e cuidam das tarefas do campo. Passam a maior parte do dia trabalhando lado a lado antes que Juan retorne para sua própria montanha, ao entardecer.
A vida nos Valles Calchaquíes é desprovida das comodidades modernas. As casas de Juan e Antolina são feitas de pedra, com telhados de palha e aberturas de troncos. Não há eletricidade nem água encanada; a água vem de nascentes naturais e a comida é preparada em fogão a lenha. Eles também mantêm pequenas hortas de batata, milho e abóbora, protegidas por muros de pedra. Um dos maiores desafios é a constante ameaça de pumas ao rebanho, o que exige vigilância e o uso de armadilhas.
As moradias do casal estão localizadas nos Valles Calchaquíes, em Salta, no noroeste da Argentina, a uma altitude de aproximadamente 3.500 metros. A cidade mais próxima, Cafayate, fica a cerca de cinco horas de caminhada.
Sim, Juan e Antolina têm três filhos. Um deles, chamado Clemente, mora com a mãe, Antolina. Os outros dois já formaram suas próprias famílias e visitam os pais ocasionalmente.
A história ganhou destaque através do trabalho do youtuber argentino Sergio Caballero, do canal "Conociendo mi país". Ele se dedica a documentar a vida de comunidades isoladas na Argentina e soube da existência do casal por meio de um sobrinho deles.
A história de Juan e Antolina é uma poderosa lição sobre parceria, mostrando que o amor pode se manifestar de diferentes formas. A caminhada diária de Juan não é apenas um trajeto entre duas montanhas, mas um símbolo de compromisso e cuidado que já dura mais de meio século, provando que a conexão verdadeira não depende de dividir o mesmo teto, mas sim de estar presente.
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