O Tribunal de Justiça da Bahia instaurou um Processo Administrativo Disciplinar contra um magistrado por suposto racismo religioso. Entenda o caso.
Olyvio Marques
Editor · Bahia · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) abriu um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) que pode levar à perda de cargo do juiz Cesar Augusto Borges de Andrade por suposta prática de racismo religioso. A medida, publicada no Diário da Justiça Eletrônico, ocorre após o magistrado determinar a retirada de uma fotografia de uma sacerdotisa do Candomblé de uma exposição no Fórum de Camaçari. Atualizado em 29 de junho de 2026.
O caso teve início em fevereiro de 2026, quando o juiz Cesar Augusto Borges de Andrade determinou a remoção de uma foto da sacerdotisa e chefe de cozinha Solange Borges, que integrava uma exposição artística no Fórum de Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador. Conforme os autos, o magistrado justificou a decisão com base na preservação da laicidade do Estado, alegando que a imagem poderia causar constrangimento a frequentadores de outras religiões.
A controvérsia, no entanto, surgiu do fato de que outra fotografia da mesma exposição, que retratava uma mulher segurando uma imagem de Santo Antônio, um símbolo católico, permaneceu exposta. Essa seletividade motivou a acusação de aplicação discriminatória do princípio da laicidade, conforme apontado em representações do Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afro-Brasileiras (IDAFRO) e da própria Solange Borges.
A instauração do PAD pelo TJ-BA é vista como um marco e pode abrir um precedente histórico no país. Segundo o advogado Hédio Silva Jr., presidente do IDAFRO, esta pode ser a primeira vez que um juiz corre o risco de perder o cargo por prática de racismo.
"Este processo afirma que o princípio da laicidade não pode ser manipulado para invisibilizar religiões de matriz africana enquanto símbolos de outras tradições permanecem naturalizados nos espaços públicos", declarou Silva ao portal Bahia Notícias. O tribunal reconheceu a existência de indícios suficientes para apurar a conduta funcional do magistrado.
O processo foi aberto contra o juiz de Direito Cesar Augusto Borges de Andrade, que atua na Comarca de Camaçari, na Bahia.
A acusação se baseia na aplicação seletiva do princípio da laicidade. O juiz determinou a remoção da foto da sacerdotisa do Candomblé, mas manteve exposta uma imagem com um símbolo católico, o que foi interpretado como um ato discriminatório contra religiões de matriz africana.
Sim. Após a repercussão do caso, o próprio TJ-BA determinou, em 5 de março de 2026, que a fotografia de Solange Borges fosse recolocada na exposição no Fórum de Camaçari, o que foi cumprido.
A instauração do Processo Administrativo Disciplinar pelo TJ-BA contra o juiz Cesar Augusto Borges de Andrade marca um momento significativo no debate sobre racismo religioso e a aplicação do princípio de laicidade no Brasil. O desfecho do caso é aguardado com atenção, pois pode estabelecer um precedente importante na responsabilização de agentes públicos por atos considerados discriminatórios.
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