Sem ter onde morar, uma jovem de 21 anos passou a dormir em um escritório da seguradora AXA na França. Conheça o projeto que transforma espaços vazios em abrigos.
Olyvio Marques
Editor · Europa · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Atualizado em 13 de agosto de 2026. Uma jovem francesa de 21 anos, sem ter onde morar, encontrou um abrigo temporário inusitado: um escritório da seguradora AXA em Isneauville, perto de Ruan, na França. Durante três meses e meio, Laurine dormiu nas instalações da empresa como parte de um programa que aproveita espaços corporativos vazios durante a noite para acolher pessoas em situação de vulnerabilidade.
A solução foi viabilizada pela associação "Les Bureaux du cœur", que conecta pessoas sem-teto a empresas dispostas a ceder temporariamente seus espaços não utilizados. Segundo o jornal La Razón, a AXA adaptou uma sala para Laurine com cama, micro-ondas, frigorífico e armário. A empresa também fornecia refeições preparadas da sua cantina.
Laurine chegava às 17h30, após o fim do expediente, e precisava sair até as 8h da manhã seguinte. Nos fins de semana, ela podia permanecer no local durante o dia. O programa, que oferece alojamento de emergência por um período de três a seis meses, inclui acompanhamento social para auxiliar na reintegração dos beneficiários.
Para participar, a jovem precisava seguir algumas regras, como não fumar, não consumir álcool, não receber visitas e não levar animais para o local. "Senti-me bem desde o primeiro dia. Finalmente, um lugar onde sei que posso me instalar, sem ter que procurar onde dormir a cada vez", declarou Laurine, que ficou sem moradia após uma ruptura familiar em 2025.
A situação de Laurine não é um caso isolado e reflete uma crescente crise habitacional no continente. A dificuldade de encontrar moradia acessível afeta principalmente jovens, estudantes e imigrantes. De acordo com uma reportagem do jornal O Globo, a crise força muitas pessoas a transformarem acomodações temporárias, como albergues, em residências permanentes por falta de alternativas.
Na União Europeia, 10,6% das famílias que vivem em cidades gastam mais de 40% de sua renda com moradia, um indicador da pressão sobre os orçamentos familiares. A busca por alojamento temporário tornou-se uma necessidade para muitos que chegam a novos países ou cidades para trabalhar ou estudar, como aponta o portal Eurodicas.
Durante o período em que esteve alojada no escritório da AXA, a situação de Laurine começou a melhorar. Ela conseguiu um contrato de trabalho temporário como auxiliar de ajuda a domicílio, cuidando de pessoas idosas. Com a estabilidade proporcionada pelo abrigo, ela planejava encontrar uma moradia própria e iniciar uma formação como auxiliar de enfermagem.
A AXA participou de uma iniciativa da associação "Les Bureaux du cœur", que promove o uso de escritórios vazios durante a noite para oferecer abrigo temporário a pessoas em situação de vulnerabilidade.
Sim. Além do espaço físico com cama e eletrodomésticos, a empresa fornecia refeições e ela contava com o acompanhamento de uma associação para auxiliar em seu processo de inserção social e profissional.
Não, o programa oferece um alojamento de emergência por um período determinado, geralmente entre três e seis meses, com o objetivo de ser uma ponte para que a pessoa consiga se reestruturar.
A iniciativa que acolheu Laurine em um escritório da AXA na França demonstra uma solução criativa e de responsabilidade social para o problema da falta de moradia. Ao transformar um espaço ocioso em um refúgio seguro, o projeto não apenas oferece um teto, mas também a oportunidade para que pessoas em vulnerabilidade possam reconstruir suas vidas, como no caso da jovem, que conseguiu um emprego e planeja voltar a estudar.
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