Grandes redes como Drogasil, Raia e Supernosso trocam a escala 6x1 pela 5x2, com duas folgas semanais. Entenda quais empresas já mudaram e o que isso significa para os trabalhadores do varejo.
Olyvio Marques
Editor · Economia · · 4 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Grandes redes de supermercados e farmácias no Brasil estão abandonando a tradicional escala de trabalho 6x1, que prevê seis dias de trabalho para um de descanso, e migrando para o modelo 5x2, com duas folgas semanais. Atualizado em 30 de junho de 2026, o movimento é uma iniciativa das próprias empresas para atrair e reter talentos, e ainda não é uma regra geral para todo o setor.
A mudança, que começou a ganhar força em 2025, é liderada por gigantes como a RD Saúde, dona da Drogasil e Droga Raia, que já implementou a nova jornada em suas mais de 3.500 lojas, conforme noticiado pela revista Crusoé. A decisão ocorre enquanto o Congresso Nacional ainda debate propostas para a redução da jornada de trabalho no país.
A transição da escala 6x1 para a 5x2 é motivada principalmente pela necessidade de as empresas se tornarem mais atrativas no mercado de trabalho. Com a nova jornada, as companhias buscam reduzir a alta rotatividade de funcionários, melhorar o clima interno e aumentar a qualidade de vida dos colaboradores, que passam a ter mais tempo para descanso e vida pessoal, segundo apuração do Portal Tempo Novo.
Especialistas apontam que a rotina exaustiva do modelo 6x1 é um dos principais motivos para o alto número de vagas não preenchidas no setor. Em 2025, a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) divulgou que havia 350 mil postos de trabalho abertos no segmento, um cenário que a nova escala visa reverter, como informado pela Repórter Brasil.
O movimento de mudança na jornada de trabalho inclui algumas das maiores redes de varejo do país, com diferentes estágios de implementação.
O setor farmacêutico está na vanguarda da mudança. A RD Saúde (Drogasil e Droga Raia) foi uma das pioneiras, iniciando a transição no segundo semestre de 2025 e completando a migração para a escala 5x2 em todas as suas lojas. O Grupo DPSP (Drogarias Pacheco e Drogaria São Paulo) também adotou o novo regime em suas mais de 1.600 unidades durante 2025.
No setor de supermercados, a adesão ocorre de forma mais gradual:
Não. Apesar das iniciativas de grandes empresas, o fim da escala 6x1 ainda não é uma obrigação legal no Brasil. A escala 6x1 continua permitida pela legislação trabalhista, desde que respeitados os acordos coletivos. A mudança atual é uma decisão estratégica das empresas, que se antecipam a um debate que avança no Congresso, mas que ainda não tem uma definição, conforme reportado por múltiplos veículos.
Na escala 6x1, o funcionário trabalha por seis dias consecutivos e tem direito a uma folga. Já na escala 5x2, o trabalho ocorre por cinco dias, com direito a duas folgas semanais, proporcionando mais tempo para descanso e atividades pessoais.
Não. As empresas que implementaram a mudança, como a RD Saúde, mantiveram a carga horária semanal de 44 horas e os salários dos funcionários, apenas reorganizando os turnos e horários de trabalho para se adequar ao novo modelo, de acordo com a revista Crusoé.
Ainda não. A adoção da escala 5x2 depende da decisão de cada empresa. Por enquanto, a mudança está concentrada em grandes redes que optaram por se antecipar à tendência. Trabalhadores de outras empresas do varejo podem continuar na escala 6x1 até que haja uma mudança na legislação ou em acordos coletivos.
A migração da escala 6x1 para a 5x2 representa uma transformação significativa nas relações de trabalho do varejo brasileiro. Embora não seja uma regra universal, a iniciativa de gigantes dos setores de farmácias e supermercados sinaliza uma tendência forte, motivada pela busca por melhores condições de trabalho e maior capacidade de atrair e reter profissionais. A expectativa é que mais empresas sigam o exemplo nos próximos meses, mesmo antes de uma definição legal sobre o tema.
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