Decisão do STJ determina que bancos restituam valores de empréstimo consignado do INSS em casos de contratos inválidos. Entenda quem tem direito e o que fazer.
Olyvio Marques
Editor · Finanças Pessoais · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Atualizado em 6 de julho de 2026. Uma decisão recente do Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou que instituições financeiras são obrigadas a devolver parcelas de empréstimos consignados descontadas de beneficiários do INSS quando o contrato for considerado inválido, especialmente em casos envolvendo pessoas analfabetas.
A Terceira Turma do STJ reforçou que o uso de cartão com chip e senha pessoal não é suficiente para validar a contratação, sendo necessário cumprir as formalidades previstas no Código Civil para garantir a proteção de consumidores vulneráveis.
O julgamento teve origem no processo de um beneficiário analfabeto de Minas Gerais que contestou diversos descontos em seu benefício, incluindo empréstimos, anuidades de cartão de crédito e outras tarifas que ele afirmava não ter contratado. Conforme relatado por múltiplos veículos, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) havia considerado as transações válidas por terem sido realizadas com cartão e senha.
No entanto, o STJ reverteu esse entendimento. O relator do caso, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, destacou que, embora pessoas analfabetas tenham plena capacidade civil, contratos escritos exigem formalidades adicionais para comprovar que houve compreensão e consentimento. O simples depósito do valor na conta do beneficiário não valida a operação.
De acordo com o Código Civil, contratos firmados por pessoas que não sabem ler nem escrever precisam seguir ritos específicos para serem considerados legais. A decisão do STJ ressalta que a tecnologia não elimina essas garantias. As exigências são:
Para os ministros, essas medidas são essenciais para assegurar que o consumidor compreendeu os termos, juros e condições da dívida que está assumindo.
Beneficiários do INSS que notarem descontos não reconhecidos em seus extratos devem agir para se proteger. A recomendação é seguir alguns passos:
Não. A decisão do STJ não anula automaticamente todos os contratos de empréstimo consignado. Ela cria um precedente importante que se aplica a casos específicos, principalmente quando há dúvidas sobre a validade da contratação e o banco não consegue comprovar que seguiu as exigências legais.
Nos casos em que o contrato for declarado nulo pela Justiça, o banco deverá devolver todas as parcelas do empréstimo que foram descontadas, além de outras tarifas e encargos associados à operação, como anuidades de cartão e taxas de contratação.
A decisão do STJ representa um avanço na proteção dos direitos de aposentados, pensionistas e outros beneficiários do INSS, transferindo para as instituições financeiras o ônus de provar a regularidade das contratações. A medida serve como um alerta para que os bancos adotem procedimentos mais seguros e transparentes, especialmente ao lidar com consumidores em situação de vulnerabilidade.
O chuveiro elétrico é o vilão da sua conta de luz? Conheça as vantagens e desvantagens do aquecimento a gás e solar e veja qual sistema é ideal para você.
Um motoboy comprou uma moto usada por R$ 18 mil e, com o câmbio quebrado, enfrenta uma dívida de R$ 4.200. Entenda os riscos do financiamento e saiba como se proteger.
Comprou um caminhão usado financiado e o motor quebrou? Entenda os riscos, como a vistoria falha e o que fazer para não cair na armadilha da parcela vs. conserto.
Uma decisão do STJ anulou contratos de consignado firmados por analfabetos em caixas eletrônicos. Entenda quem pode solicitar a devolução dos valores e como verificar seu benefício.