Conheça o Monumento Rodoviário Belvedere, o 'Farol da Dutra', que abrigou obras de Portinari. Inaugurado antes da rodovia, hoje está abandonado em Piraí (RJ).
Olyvio Marques
Editor · Cultura · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Erguido na Serra das Araras, em Piraí (RJ), o Monumento Rodoviário Belvedere é um gigante adormecido à beira da Via Dutra. Inaugurado em 13 de maio de 1938, notavelmente 13 anos antes da própria Rodovia Presidente Dutra, o complexo que já abrigou obras de Candido Portinari está fechado e abandonado desde 1978, sendo um retrato do descaso com o patrimônio histórico brasileiro. Atualizado em 18 de outubro de 2026.
Projetado para ser um símbolo da integração nacional e da "Era Rodoviária do Brasil", o Monumento Belvedere teve sua pedra fundamental lançada em 1926 pelo então presidente Washington Luís. A construção, liderada pelo Touring Club do Brasil, começou em 1928, mas foi interrompida por questões políticas e retomada apenas em 1936, segundo informações do portal iG e da Wikipédia. Na época, a via era a Estrada Rio-São Paulo.
O complexo de 54 mil metros quadrados funcionava como um ponto turístico e de descanso para viajantes. Contava com restaurante, jardins, lago e um imponente edifício em estilo art déco com uma torre de 35 metros de altura, no topo da qual um farol lhe rendeu o apelido de "Farol da Serra das Araras", conforme relatos de diversas fontes históricas.
O interior do edifício principal abrigava quatro painéis do pintor Candido Portinari, com o tema "Construindo uma Rodovia". Cada painel media cerca de 7,68 metros de comprimento por 0,96 metro de altura e marcou o início da abordagem de temas sociais pelo artista. Já a área externa contava com oito painéis em baixo-relevo do escultor francês Albert Freyhoffer, que retratavam a evolução dos meios de transporte, da carruagem aos automóveis da década de 1930.
Com o abandono do local, os painéis de Portinari foram retirados em outubro de 2000 para evitar sua degradação. Após um processo de restauração, as obras foram transferidas para o Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, onde permanecem em exposição, de acordo com o portal Aventuras na História. As esculturas de Freyhoffer, no entanto, continuam no local, sofrendo com a ação do tempo e apresentando rachaduras.
O Monumento Rodoviário Belvedere foi fechado ao público em 1978 e, desde então, sofre com o vandalismo e a deterioração. Embora tenha sido tombado como patrimônio cultural pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) em 27 de agosto de 1990, poucas ações efetivas foram tomadas para sua preservação.
Diversas tentativas de recuperação fracassaram. Uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF) para garantir a restauração foi arquivada em 2015. Um plano de restauro aprovado em 2016 nunca saiu do papel, como apurado pelo portal iG. A concessionária que administra a rodovia alega que a manutenção do monumento não está em seu contrato de concessão, e a responsabilidade pela preservação segue em um limbo jurídico entre a União, o DNIT e outros órgãos, segundo o jornal Extra.
É um monumento histórico e antigo ponto turístico localizado na Serra das Araras, em Piraí (RJ). Foi inaugurado em 1938 na antiga Estrada Rio-São Paulo para celebrar a "Era Rodoviária do Brasil" e servir de área de descanso para viajantes.
Os quatro painéis "Construindo uma Rodovia", de Candido Portinari, foram retirados em 2000 para preservação. Após restauro, estão em exposição permanente no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro.
Não. O monumento está fechado para visitação pública desde 1978 e se encontra em avançado estado de abandono e degradação, com acesso restrito por questões de segurança.
O Monumento Rodoviário Belvedere, que um dia representou o progresso e a integração nacional, hoje é um símbolo da negligência com a memória e o patrimônio cultural do Brasil. Apesar de seu valor arquitetônico e artístico, o "Farol da Serra das Araras" permanece apagado, aguardando uma solução definitiva que o resgate do esquecimento.
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