Conheça a história de Estevão Silva da Conceição, ex-jardineiro que construiu um castelo em Paraisópolis sem nunca ter ouvido falar de Gaudí. Saiba como visitar.
Olyvio Marques
Editor · Cultura · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Em Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo, ergue-se uma construção que desafia o convencional: a Casa de Pedra. Obra de Estevão Silva da Conceição, um jardineiro baiano que chegou à cidade em 1977, o castelo de cerca de 8 metros de altura foi construído ao longo de 40 anos e rendeu a seu criador o apelido de "Gaudí brasileiro", mesmo sem ele nunca ter ouvido falar do arquiteto catalão. Atualizado em 22 de junho de 2026.
Tudo começou em 1985, quando Estevão decidiu plantar uma roseira em seu terreno. Para sustentar o crescimento da planta, ele construiu uma estrutura, inicialmente de madeira e depois de ferro, mais resistente. Com o tempo, os arcos de ferro foram cobertos com argamassa de cimento e decorados com objetos encontrados na rua, em bazares e lixões, como pratos, azulejos, brinquedos e até telefones antigos. Segundo relatos, o primeiro item foi um prato de louça que trincou durante um almoço em família. Cada nova planta inspirava uma nova curva, resultando em uma casa sem linhas retas.
Nascido em Santo Estevão, na Bahia, Estevão Silva da Conceição, hoje com 67 anos, deixou a escola aos 10 para trabalhar na roça e chegou a São Paulo em 1977, onde atuou como jardineiro e pedreiro. Ele nunca estudou arquitetura. O apelido "Gaudí brasileiro" surgiu quando um estudante, ligado a uma fundação de Barcelona, notou a semelhança de sua obra com as do arquiteto Antoni Gaudí.
A comparação levou o cineasta Sergio Oksman a produzir o documentário "Gaudí na favela" (2002). Em 2001, como parte do projeto, Estevão viajou à Espanha para conhecer pessoalmente as obras de Gaudí, de quem nunca tinha ouvido falar, e ficou surpreso com as semelhanças. "Eu fiz parecido com o trabalho do Gaudí, sem copiar, não copiei nada. Eu faço o que vem na minha cabeça", afirmou Estevão à agência AFP.
A construção ocupa um terreno de aproximadamente 75 metros quadrados e é descrita como um cruzamento de castelo encantado com casa na árvore. O interior possui cômodos pequenos, tetos baixos em arco e corredores estreitos. As paredes são um mosaico de incontáveis objetos: telefones, câmeras, cabeças de boneca, tampinhas, relógios e bolinhas de gude. Para acessar os andares superiores, os visitantes usam escadas de alumínio. No topo, um jardim suspenso abriga mais de 500 vasos e mais de 50 espécies de plantas, oferecendo uma vista panorâmica da comunidade e do contraste com os prédios do bairro do Morumbi.
A Casa de Pedra está localizada na Rua Herbert Spencer, 38, em Paraisópolis, Zona Sul de São Paulo. As visitações costumam ocorrer de quinta a domingo, das 10h às 17h, mas é recomendado confirmar os horários antes de ir.
O ingresso para visitantes é de R$ 30, com valor de R$ 15 para moradores de Paraisópolis. Os valores podem sofrer alterações, sendo aconselhável verificar antes da visita.
Não. Estevão é autodidata e aprendeu seus ofícios na prática, como pedreiro e jardineiro. Ele deixou a escola aos 10 anos para trabalhar na roça em sua cidade natal na Bahia.
Após quase quatro décadas de trabalho, a Casa de Pedra transformou a antiga moradia de Estevão em um museu e ponto turístico. Assim como a famosa basílica da Sagrada Família de Gaudí, em Barcelona, o "Castelinho" de Paraisópolis é uma obra inacabada. "Se eu vou terminar antes de morrer, não sei. Só Deus sabe", diz o artista, que continua adicionando novos detalhes à sua criação, um símbolo da criatividade que floresce longe dos centros culturais tradicionais.
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