Aos 90 anos, Lucinha Araújo, mãe de Cazuza, compartilha sua filosofia sobre perdas, felicidade e o legado da Viva Cazuza. Conheça sua rotina e lições.
Olyvio Marques
Editor · Gente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Aos 90 anos, Lucinha Araújo, mãe de Cazuza, transformou a dor da perda em um compromisso com a vida, guiada por uma filosofia clara: "A gente vive pequenos momentos felizes. É preciso aproveitá-los. Duram pouco". Atualizado em 12 de agosto de 2026, sua história é um testemunho de resiliência e propósito, mesmo com uma rotina que desafia os manuais de longevidade: ela não faz exercícios, bebe vinho quase diariamente e dorme tarde, conforme relatado em entrevista ao jornal O Globo.
Lucinha Araújo comemorou suas nove décadas com uma grande festa no Palácio da Cidade, no Rio de Janeiro, para 200 convidados, que contou com um show de Gilberto Gil. Vaidosa e elegante, sua rotina inclui idas semanais ao cabeleireiro e o despacho diário no escritório da Sociedade Viva Cazuza. Segundo a empresária Flora Gil, uma de suas características marcantes é o humor "leve, inteligente e espontâneo", que anima todos ao seu redor.
Sua rotina foge do convencional. Apesar de avistar o mar de Ipanema de sua janela, ela não desce para caminhadas ou banhos de sol. "Sabe aquela lista de coisas que você não deve fazer para ser saudável? Eu gabarito. Mas ao contrário", brincou Lucinha em depoimento ao O Globo. Sua única concessão recente à saúde foram sessões de fisioterapia para uma lesão no joelho.
Após a morte de Cazuza em 1990, vítima da AIDS, Lucinha enfrentou uma escolha decisiva. "No dia seguinte que ele morreu, eu disse: ou eu morro junto com ele, ou faço alguma coisa", afirmou ao Brazil Journal. A segunda opção prevaleceu, dando origem à Sociedade Viva Cazuza, uma organização para acolher crianças soropositivas em uma época de forte preconceito.
O trabalho na ONG se tornou sua motivação para seguir em frente. "A Sociedade Viva Cazuza me ajudou a viver sem meu filho", declarou. Com os avanços no tratamento e prevenção do HIV, a casa de acolhimento infantil foi fechada em 2020, um marco que Lucinha considera uma "enorme vitória". Hoje, a ONG continua ativa, atendendo mais de 200 adultos que vivem com o vírus, fornecendo cestas básicas e apoio.
A dor da perda nunca desapareceu, mas foi ressignificada. "Quanto mais o tempo passa, pior fica", confessou em uma entrevista mais antiga à revista Trip. Em um depoimento mais recente ao Estadão, ela reforçou a presença constante do filho em sua vida: "Ainda hoje, sinto saudades dele. E não é de vez em quando, não. É todo dia! Mas não quero parar de sentir. Penso nele dia sim, outro também".
Para manter a memória de Cazuza viva, Lucinha se dedica a diversos projetos, como a publicação de livros de poemas e a organização de exposições. Ela acredita que aceitar o filho como ele era foi a maior demonstração de amor que pôde dar, um sentimento que a fortaleceu para transformar o luto em um legado de solidariedade.
Aos 90 anos, Lucinha Araújo acredita que a felicidade completa não existe. Sua filosofia é aproveitar os "pequenos momentos felizes", pois eles são passageiros. Essa visão a ajuda a seguir em frente, encontrando alegria no cotidiano.
Ela transformou sua dor em ação ao fundar a Sociedade Viva Cazuza. Em vez de sucumbir ao luto, ela decidiu ajudar outras pessoas que enfrentavam a mesma doença que levou seu filho, a AIDS, criando um legado de apoio e acolhimento.
Sim. Embora a casa de acolhimento para crianças tenha sido fechada em 2020 devido à redução da transmissão de HIV de mãe para filho, a ONG continua seu trabalho. Atualmente, atende mais de 200 adultos soropositivos, oferecendo cestas básicas e suporte.
A trajetória de Lucinha Araújo aos 90 anos é uma poderosa lição sobre como ressignificar a dor e encontrar propósito. Ao transformar a perda de Cazuza na força motriz da Sociedade Viva Cazuza, ela não apenas honrou a memória do filho, mas também impactou inúmeras vidas, provando que é possível encontrar pequenos momentos de felicidade mesmo diante das maiores adversidades.
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