Saiba como a capital da Venezuela se tornou um santuário a céu aberto para araras, com moradores criando espaços de alimentação em suas janelas e varandas.
Olyvio Marques
Editor · Animais · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Em Caracas, capital da Venezuela, um fenômeno colorido tem transformado a relação entre os moradores e a vida selvagem: janelas e varandas de apartamentos se tornaram verdadeiros refúgios para centenas de araras que cruzam os céus da cidade. Atualizado em 22 de junho de 2026.
O que começou com visitas esporádicas de casais de aves em busca de alimento, evoluiu para uma rotina diária em que dezenas de araras se reúnem em parapeitos, atraídas por sementes e frutas oferecidas pelos residentes. Segundo o guia de observação de aves David Ascanio, a cena de araras comendo em janelas de apartamentos é algo único de Caracas (Opera Mundi).
Historicamente, a maioria das espécies de araras não era nativa do vale de Caracas. Acredita-se que sua presença massiva hoje seja resultado do antigo comércio de animais de estimação, onde muitas aves escaparam ou foram soltas por seus donos, conforme explica a bióloga Malú González à National Geographic. Com o tempo, esses animais se adaptaram, procriaram e transformaram a paisagem urbana.
Um personagem central nessa história é Vittorio Poggi, um imigrante italiano que ficou conhecido como o "homem das araras". Durante décadas, ele cuidou de aves feridas ou indesejadas e as soltou na cidade, contribuindo para a proliferação, especialmente da arara-canindé (Ara ararauna), a mais comum na região (National Geographic).
A interação entre humanos e araras em Caracas criou uma comunidade de "cuidadores" que dedicam tempo e recursos para manter as aves por perto. Eles trocam informações em grupos online, como o "Guacamayas en Caracas" no Facebook, e compartilham fotos e dicas de alimentação (Opera Mundi).
A designer María Valentina Cristovao é um exemplo dessa dedicação. Ela relata receber até 20 araras em sua varanda, a quem chama carinhosamente de "niñas". Para manter a confiança das aves, ela oferece sementes de girassol, banana e amendoim, e já aprendeu a reconhecer os indivíduos mais frequentes e a interagir com eles de forma segura (Opera Mundi).
Durante a pandemia, outros moradores, como Elinor Zamora, encontraram nas araras um alívio para o confinamento, subindo aos telhados para alimentá-las. Já Lawrence Ginnari se tornou um criador de conteúdo no TikTok, usando a renda da plataforma para comprar sementes para as aves que o visitam diariamente (National Geographic).
A cidade abriga quatro espécies de araras: a arara-canindé (azul e amarela, a mais vista), a arara-macao (vermelha, azul e amarela), a arara-vermelha (vermelha e verde) e a maracanã-guaçu (predominantemente verde), segundo especialistas (National Geographic, Opera Mundi).
Especialistas em vida selvagem geralmente desaconselham alimentar animais silvestres, pois isso pode criar dependência e alterar seus comportamentos naturais. No entanto, em Caracas, essa prática se tornou um costume amplamente difundido e aceito pela comunidade, que vê na interação um ato de conexão com a natureza (National Geographic).
A bióloga Malú González estuda como a vida na cidade e a interação com humanos afetam as araras. Uma das preocupações é que a reprodução entre parentes próximos, comum em populações isoladas, possa estar aumentando a frequência de mutações genéticas raras, como variações na coloração das penas (National Geographic).
A transformação de janelas e varandas em refúgios para araras em Caracas é um exemplo notável de convivência entre o ambiente urbano e a vida selvagem. Embora existam debates sobre os impactos de alimentar essas aves, a presença colorida e vibrante delas se tornou uma parte inseparável da identidade da cidade, trazendo alegria e um senso de liberdade aos seus moradores.
A população do kākāpō, papagaio mais pesado do mundo, chegou a 325 aves após uma temporada recorde com 90 filhotes. Entenda o sucesso do programa.
A chegada do elefante Sandro ao Santuário em MT revelou preocupações com suas patas e articulações. Entenda os próximos passos para sua avaliação e adaptação.
Um cãozinho viralizou ao pedir carinho enquanto a tutora cuidava da filha recém-nascida. Entenda o comportamento e veja dicas para preparar seu pet.
Um encontro entre onça-pintada e anta no Pantanal nem sempre termina em ataque. Descubra por que o maior felino das Américas pode recuar diante da presa.