Novo comprimido da família do Mounjaro, orforglipron mostrou ser até duas vezes mais eficaz que a dapagliflozina no controle da glicemia. Saiba mais.
Olyvio Marques
Editor · Saúde · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Atualizado em 15 de julho de 2026. Um novo comprimido para diabetes tipo 2, o orforglipron, demonstrou ser significativamente mais eficaz que um dos tratamentos mais utilizados atualmente, a dapagliflozina. Em um estudo clínico de fase 3, a pílula da farmacêutica Eli Lilly, mesma fabricante do Mounjaro, não apenas igualou, mas superou o desempenho do concorrente, representando um avanço promissor no controle da doença.
O estudo, chamado ACHIEVE-2 e publicado na revista científica The Lancet, comparou os dois medicamentos em 962 pacientes com diabetes tipo 2 que não conseguiam controlar a glicemia adequadamente apenas com metformina. Os resultados após 40 semanas foram surpreendentes, segundo os próprios pesquisadores.
Os dois medicamentos atuam de formas completamente diferentes no organismo. A dapagliflozina pertence à classe dos inibidores de SGLT2, que estimulam os rins a eliminar o excesso de glicose pela urina. É um dos tratamentos mais consolidados para o diabetes tipo 2.
Já o orforglipron é um agonista do receptor de GLP-1, assim como as populares "canetas emagrecedoras". Ele imita um hormônio intestinal que aumenta a produção de insulina, reduz o apetite e retarda a digestão. Sua grande vantagem é ser uma molécula pequena, não peptídica, desenvolvida para uso oral diário, sem restrições de jejum ou horário.
Como outros medicamentos da classe GLP-1, o orforglipron apresentou mais efeitos adversos gastrointestinais, como náuseas e desconforto abdominal. Esses efeitos levaram a um número maior de pacientes que abandonaram o tratamento em comparação com a dapagliflozina, conforme apontado no estudo ACHIEVE-2.
Atualmente, o orforglipron não possui aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e não pode ser comercializado no Brasil. Nos Estados Unidos, o medicamento foi aprovado em abril de 2026 sob o nome comercial Foundayo, mas para o tratamento de obesidade ou sobrepeso, e não especificamente para diabetes tipo 2. A Anvisa alerta contra a compra de medicamentos sem registro no país, pois não há garantia de segurança, eficácia ou qualidade.
Orforglipron é um medicamento em comprimido de uso diário que atua como um agonista do receptor de GLP-1. Ele é indicado para o controle da glicemia em pacientes com diabetes tipo 2 e também para a perda de peso em pessoas com obesidade ou sobrepeso.
Estudos clínicos de fase 3, como o ACHIEVE-2 e o ACHIEVE-3, mostraram que o orforglipron foi superior tanto à dapagliflozina quanto à semaglutida oral (Rybelsus) na redução da hemoglobina glicada e na promoção da perda de peso.
Os efeitos colaterais mais comuns são de natureza gastrointestinal, incluindo náuseas, diarreia, vômitos e redução do apetite. Geralmente, são de intensidade leve a moderada.
Não. O medicamento ainda aguarda análise e aprovação da Anvisa para ser comercializado legalmente no Brasil. Não há previsão oficial para sua chegada ao mercado nacional.
O orforglipron se estabelece como uma das mais promissoras terapias orais para o diabetes tipo 2, com resultados que superam tratamentos consolidados. A combinação de alta eficácia no controle glicêmico e na perda de peso, aliada à conveniência de um comprimido diário, pode transformar o tratamento da doença. No entanto, sua disponibilidade no Brasil depende da aprovação regulatória da Anvisa.
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