A filósofa e psicanalista Viviane Mosé desafia a busca incessante pela felicidade, tratando-a como uma ilusão social. Entenda sua visão sobre o sofrimento e a vida.
Olyvio Marques
Editor · Comportamento · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A filósofa, poeta e psicanalista Viviane Mosé afirma que a felicidade é uma ideia que não deveria ser vendida, pois sustenta o consumismo e desvia o foco do que realmente importa: aprender a viver. Atualizado em 22 de julho de 2026, seu pensamento questiona a busca incessante por um estado de plenitude que, segundo ela, "só existe na propaganda de televisão".
Em diversas análises, Viviane Mosé argumenta que a sociedade contemporânea não lida bem com o sofrimento, tratando-o como uma doença a ser medicada e evitada. Para a pensadora, essa atitude nos enfraquece. "Quem não tem coragem de viver grandes dores nunca vai experimentar imensas alegrias", afirmou em entrevista à revista Gama. Ela defende que o sofrimento, quando enfrentado, abre portas e ensina, fortalecendo o indivíduo.
Essa visão se contrapõe diretamente à ideia de felicidade como um objetivo final. "O alvo da vida não é ser feliz. É aprender a viver", defendeu Mosé em entrevista ao portal GZH. Para ela, a busca por alegria, bem-estar e bem-viver são caminhos possíveis e desejáveis, mas a felicidade como um produto a ser alcançado é uma ilusão que alimenta o sistema de consumo.
Nascida em Vitória (ES) em 1964, Viviane Mosé é uma das vozes mais ativas do pensamento contemporâneo no Brasil. Com graduação em Psicologia pela UFES e mestrado e doutorado em Filosofia pela UFRJ, ela se tornou conhecida por traduzir conceitos filosóficos complexos para o grande público, especialmente através de sua participação em programas de televisão como o "Fantástico" e "Encontro com Fátima Bernardes".
Autora de mais de uma dezena de livros, incluindo obras de poesia, filosofia e psicanálise, Mosé é também membro da Academia Brasileira de Cultura e especialista em políticas públicas, aplicando seu conhecimento em desafios da educação e gestão.
A principal crítica é que a felicidade foi transformada em um produto que sustenta o consumo. Segundo Mosé, as pessoas "dão suas vidas para ganhar dinheiro para comprar essa felicidade", que é vendida como uma promessa inalcançável, enquanto o verdadeiro objetivo deveria ser aprender a lidar com as complexidades da vida.
Para Mosé, o sofrimento é inevitável e uma ferramenta de crescimento. Ela acredita que enfrentar a dor, em vez de anestesiá-la com medicamentos, por exemplo, nos torna mais fortes e maduros. "Quando você consegue vencer a dor, você ganha um arsenal interno de força e aí ninguém te derruba", explicou à Gama Revista.
A alternativa proposta por ela é "aprender a viver". Isso envolve buscar alegria, bem-estar e o compartilhamento, mas aceitando que a vida é feita de mudanças, dores e ganhos. A meta não é um estado permanente de felicidade, mas sim o desenvolvimento da coragem e da maturidade para navegar pela imprevisibilidade da existência.
O pensamento de Viviane Mosé oferece uma perspectiva crítica e libertadora sobre a vida. Ao desmistificar a felicidade como um ideal de consumo, ela convida a uma relação mais honesta com o sofrimento e a uma valorização da jornada de aprendizado, com suas dores e alegrias, como o verdadeiro sentido da existência.
Entenda a sabedoria do provérbio chinês que compara semear arroz, plantar árvores e educar pessoas para ensinar sobre planejamento de curto a longo prazo.
Tomás Ballesté García é o único morador de Solanell, uma vila nos Pirineus. Após um acidente, ele trocou a cidade pela solidão e encontrou a felicidade.
Descubra por que a necessidade de entender o propósito de uma tarefa não é complicação, mas um pilar da motivação humana, segundo a psicologia.
Uma nova legislação de bem-estar animal proíbe o uso de cães e gatos em atividades que causam sofrimento. Saiba o que muda e quais são as multas.