A cena é comum: um animal indefeso no acostamento. Saiba por que cães são abandonados em rodovias e veja histórias de resgate que mudaram destinos. Entenda como agir.
Olyvio Marques
Editor · Comportamento · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O reflexo de dois olhos na escuridão ou um "pontinho branco" perdido na paisagem do acostamento. Cenas como essas são dolorosamente comuns nas rodovias brasileiras e representam uma realidade cruel: o abandono de animais. Atualizado em 22 de junho de 2026, este guia aborda o que está por trás desse problema e como a atitude de um único motorista pode transformar o destino de um cão desamparado.
Cachorros deixados em estradas enfrentam um cenário de extrema vulnerabilidade. Longe de referências, sem água, comida ou abrigo, muitos acabam atropelados ou adoecem rapidamente, como aponta um levantamento sobre o tema. De acordo com a análise de casos, os motivos para o abandono são variados, incluindo ninhadas indesejadas, mudanças de cidade ou dificuldades para lidar com doenças e problemas de comportamento do animal.
Além do sofrimento animal, a prática gera riscos para a segurança viária. Um cão assustado pode cruzar a pista subitamente, causando freadas bruscas e acidentes graves. Vale ressaltar que o abandono de animais é crime ambiental no Brasil, previsto na Lei nº 9.605 de 1998, com penas que incluem detenção e multa.
Apesar do cenário desolador, a decisão de um motorista de parar o carro pode significar a diferença entre a vida e a morte. Várias histórias demonstram o poder de um simples gesto de empatia.
Às margens da BR-354, em Minas Gerais, um motorista avistou o que parecia ser apenas um ponto branco ao longe. Ao decidir voltar para verificar, encontrou um cachorro que mais tarde seria batizado de Dentinho. O animal foi levado a uma clínica veterinária, onde foi diagnosticado com uma fratura no quadril, provavelmente causada por um atropelamento. Graças ao resgate, ele recebeu tratamento e uma nova chance.
Na rodovia BR-070, no Distrito Federal, um cachorro idoso permaneceu deitado no asfalto, ignorado por milhares de veículos que passavam em alta velocidade. O resgate só aconteceu quando uma protetora da ONG Peludos do Cerrado parou para ajudá-lo. O cão, chamado de Chuvisco, estava desidratado, com ferimentos nos olhos e infestado de carrapatos. Após cuidados veterinários, seu comportamento mudou de reativo para dócil.
Em outra estrada pouco movimentada, um filhote magro e assustado se escondia na vegetação para sobreviver. Ele foi encontrado por voluntários de um grupo de proteção animal após moradores locais alertarem sobre sua presença. O resgate foi delicado, pois o cão estava debilitado e desconfiado. Com paciência, comida e um cobertor, os voluntários conseguiram levá-lo para receber tratamento para desnutrição e desidratação.
Primeiro, garanta sua segurança e a dos outros motoristas, sinalizando adequadamente antes de parar no acostamento. Aproxime-se do animal com cautela, pois ele pode estar assustado ou ferido. Se possível, ofereça água e comida para ganhar sua confiança. Em seguida, contate as autoridades locais, como a Polícia Rodoviária, ou grupos de resgate animal da região para obter orientação e apoio.
Sim. O abandono de animais é considerado crime ambiental no Brasil, conforme a Lei nº 9.605 de 1998. A legislação prevê penas de detenção e multa para quem pratica atos de abuso, maus-tratos ou desamparo contra animais domésticos ou domesticados.
As histórias de Dentinho, Chuvisco e tantos outros filhotes resgatados mostram que a indiferença é o maior obstáculo para a sobrevivência de animais abandonados. Cada motorista que decide parar, olhar com atenção e agir não está apenas salvando uma vida, mas também reafirmando um compromisso com a empatia e o bem-estar animal, transformando um cenário de sofrimento em um novo começo.
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