Após perder o emprego na HP, May Lee trocou o Vale do Silício pela Estação McMurdo. Sua nova rotina inclui operar empilhadeiras, comandar rádio e ir a boates.
Olyvio Marques
Editor · Comportamento · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Demitida da HP aos 59 anos em fevereiro de 2025, após mais de 30 anos na empresa, May Lee trocou a rotina do Vale do Silício por uma vida radicalmente diferente na Antártida. Hoje, aos 60, ela relata uma rotina que começa às 6h30 para enfrentar neve de até 60 centímetros e termina com idas a boates sob a luz do dia constante do verão polar. Atualizado em 4 de outubro de 2026.
A transição da flexibilidade do setor de tecnologia para a rigidez da Estação McMurdo foi um choque para May Lee. Sua jornada de trabalho como técnica de suprimentos seguia o "horário da cidade": das 7h30 às 17h30, de segunda a sábado, sem margem para atrasos, conforme relatado ao Business Insider. As tarefas eram físicas e incluíam remover neve para acessar o armazém, operar empilhadeiras para mover cargas e gerenciar o inventário de suprimentos de TI e comunicação.
A logística de suprimentos é um desafio constante. No início da temporada, grandes jatos C-17 trazem mercadorias, incluindo alimentos frescos, apelidados de "freshies". Com o aumento da temperatura e o enfraquecimento do gelo, aviões menores assumem o transporte, limitando a variedade de produtos como ovos e frutas.
Longe de ser uma experiência solitária, a vida em McMurdo é comunitária e agitada. Com o acesso à internet limitado, os moradores são incentivados a interagir. Lee se tornou voluntária na biblioteca e apresenta um programa de rádio com músicas dos anos 80, o "Ms. Purple!!'s 80's on the 8".
A estação oferece um calendário social com atividades que vão de artesanato a dança de salão. Aos sábados, as boates são populares. "Você pode sair às 2 da manhã, e não parece noite", contou Lee, referindo-se ao fenômeno do sol da meia-noite durante o verão antártico. A comunidade também organiza o "Icestock", um festival de música para celebrar o Ano Novo.
Como técnica de suprimentos na Estação McMurdo, May Lee era responsável por gerenciar o inventário do armazém, atender às solicitações de outros trabalhadores, operar empilhadeiras e receber cargas aéreas, garantindo que os suprimentos fossem corretamente registrados no banco de dados da estação.
Após ser demitida da HP e enfrentar dificuldades para encontrar um novo emprego no setor de tecnologia, Lee foi incentivada por um amigo a buscar algo que realmente gostasse. Tendo visitado o continente duas vezes como turista, ela decidiu pesquisar oportunidades de trabalho e se candidatou a uma vaga na estação de pesquisa.
A vida social é surpreendentemente ativa. A internet limitada promove a convivência. Os moradores organizam eventos como festivais de música, palestras científicas, atividades de artesanato e dança. May Lee, por exemplo, tornou-se DJ de rádio e voluntária na biblioteca. Existem até boates que funcionam durante a noite iluminada pelo sol de verão.
A experiência transformou a perspectiva de May Lee sobre carreira e vida. O que começou como uma alternativa após uma demissão se tornou uma nova paixão. Ela planeja retornar à Antártida, desta vez para assumir um novo cargo como engenheira de broadcast, provando que a reinvenção profissional não tem idade.
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