Entenda como a mobilização de um pai nas redes sociais levou uma empresa a reiniciar a fabricação de um copo descontinuado para salvar seu filho autista.
Olyvio Marques
Editor · Comportamento · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Uma empresa retomou a fabricação de um copo infantil azul, fora de linha há quase 20 anos, para atender ao apelo de um pai cujo filho autista se recusava a beber em qualquer outro recipiente, correndo risco de desidratação severa. A história de Ben Carter mobilizou a internet e levou a fabricante a encontrar o molde original para garantir o bem-estar do menino. Atualizado em 27 de julho de 2026.
A saga começou em novembro de 2016, quando Marc Carter, do Reino Unido, fez um apelo no Twitter. Seu filho Ben, então com 13 anos e diagnóstico de autismo grave, só bebia líquidos em um copo azul específico da marca Tommee Tippee, que usava desde os dois anos de idade, conforme relatado pela BBC e Folha de S.Paulo. O copo original estava se desintegrando e não era mais fabricado.
A situação era crítica. Segundo o pai, Ben já havia sido levado à emergência duas vezes com desidratação grave por se recusar a usar outros recipientes. "As pessoas dizem que ele vai beber quando estiver com sede, mas duas idas à emergência com desidratação grave mostram o contrário", afirmou Marc na época. "O copo o mantém vivo."
O tuíte de Marc Carter viralizou, sendo compartilhado mais de 12 mil vezes e gerando uma onda de solidariedade global, com pessoas de vários países oferecendo seus copos antigos. A repercussão chegou à fabricante, Tommee Tippee, que inicialmente mobilizou uma equipe para procurar o item em seus arquivos de amostras.
A busca levou a uma solução definitiva e extraordinária. A empresa localizou o molde original em uma fábrica na cidade de Dongguan, na China, que havia produzido o copo pela última vez em 2003. A fábrica reativou a produção exclusivamente para Ben. Após enviar um lote de teste com oito unidades para garantir a aceitação do menino, a empresa se comprometeu a fabricar um estoque de 500 a 1.000 copos, garantindo que ele tivesse o recipiente por toda a vida.
Devido ao seu quadro de autismo severo, Ben desenvolveu uma fixação pelo objeto, sendo o único recipiente que ele aceitava para se hidratar. A recusa em usar qualquer outro copo o colocava em risco real de desidratação, conforme relatado por seu pai e noticiado pela imprensa.
A família conseguiu os copos através de uma campanha viral no Twitter, iniciada pelo pai de Ben, Marc Carter. A mobilização online alcançou a fabricante Tommee Tippee, que decidiu encontrar o molde original e reiniciar a produção de um lote exclusivo para o menino.
Não. A retomada da produção foi uma ação pontual e exclusiva para atender à necessidade de Ben Carter. A empresa fabricou um lote limitado para garantir um suprimento vitalício para ele, mas o produto não voltou a ser comercializado para o público geral.
O caso de Ben Carter é um exemplo notável do poder da mobilização social e da empatia corporativa. O apelo desesperado de um pai se transformou em uma corrente de solidariedade que não apenas encontrou uma solução prática para um problema grave, mas também destacou as complexidades e os desafios enfrentados por famílias de pessoas com autismo.
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