Pneus que seriam focos de dengue e poluição são triturados e usados como combustível em fornos de cimento. Saiba como o coprocessamento reduz emissões de CO2.
Olyvio Marques
Editor · Sustentabilidade · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Pneus inservíveis, que antes representavam um grave passivo ambiental e risco à saúde pública como criadouros do mosquito da dengue, estão sendo transformados em combustível alternativo para a indústria de cimento no Brasil. Atualizado em 24 de junho de 2026, o processo, conhecido como coprocessamento, destrói de forma definitiva resíduos que levariam até 600 anos para se decompor na natureza, ao mesmo tempo que reduz a emissão de gases de efeito estufa. Anualmente, o setor já utiliza cerca de 75 milhões de pneus, volume que, se enfileirado, daria uma volta completa no eixo da Terra, segundo a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP).
O coprocessamento é uma tecnologia que permite a substituição de combustíveis fósseis tradicionais, como o coque de petróleo, por resíduos com alto poder calorífico. No caso dos pneus, após serem recolhidos, eles são triturados e transformados em "chips". Esse material é então introduzido nos fornos de produção de cimento, que operam a temperaturas altíssimas, em torno de 1.450 ºC. Nessa condição, os pneus são completamente destruídos, gerando energia para o processo industrial sem deixar resíduos como cinzas, conforme explica Cristiano Ferreira, gerente de coprocessamento da InterCement Brasil.
A utilização de pneus como combustível alternativo gera um duplo benefício: resolve um problema de descarte e contribui para a descarbonização de um setor industrial historicamente poluente.
O descarte inadequado de pneus causa contaminação do solo e de lençóis freáticos, além de acumular água, tornando-se um ambiente ideal para a proliferação de vetores de doenças como a dengue. O coprocessamento elimina completamente esses riscos, dando uma destinação segura e definitiva ao material, que de outra forma ocuparia espaço em aterros ou seria abandonado em locais impróprios.
Ao substituir o coque de petróleo, um combustível fóssil rico em carbono, o coprocessamento de pneus reduz significativamente as emissões de CO2. A empresa InterCement, por exemplo, reaproveita cerca de 90 mil toneladas de pneus por ano, o que evita a emissão de 80 mil toneladas de dióxido de carbono. A iniciativa ajuda a indústria cimenteira brasileira a manter seu índice de emissões (2,3% do total nacional) abaixo da média global do setor, que é de 7%.
Não. O processo ocorre em um ambiente controlado e a temperaturas extremamente elevadas (acima de 1.450 °C), o que garante a combustão completa e a destruição de qualquer composto potencialmente poluente, sem gerar cinzas ou outros resíduos nocivos, segundo especialistas do setor.
A indústria cimenteira brasileira utiliza aproximadamente 75 milhões de pneus inservíveis por ano como combustível alternativo, de acordo com dados da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP).
O coprocessamento utiliza diversas categorias de resíduos, incluindo combustíveis de biomassa (como cascas de arroz e bagaço de cana), outros resíduos industriais e urbanos, e matérias-primas alternativas como areia de fundição e lama.
O coprocessamento de pneus é um exemplo prático e eficiente de economia circular, transformando um resíduo problemático em um recurso energético valioso. A tecnologia não apenas oferece uma solução definitiva para o descarte de milhões de pneus anualmente, mas também se consolida como uma estratégia fundamental para a redução da pegada de carbono da indústria de cimento, alinhando produção industrial com metas de sustentabilidade e saúde pública.
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