Após desova em Anchieta, fêmea de tartaruga-cabeçuda foi desorientada por luzes artificiais e andou por dois quarteirões. Saiba mais sobre o resgate.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Uma tartaruga-cabeçuda fêmea foi resgatada na manhã desta quarta-feira (30) após se desorientar devido à iluminação artificial e parar em uma rua na Praia de Castelhanos, em Anchieta, no Sul do Espírito Santo. Atualizado em 30 de setembro de 2026. O animal, que havia acabado de desovar, caminhou cerca de dois quarteirões em direção à cidade em vez de retornar ao mar.
O episódio ocorreu por volta das 5h, quando a tartaruga da espécie Caretta caretta, após depositar seus ovos na areia, seguiu o caminho oposto ao oceano. Segundo o Instituto de Pesquisa e Conservação Marinha (IPCMar), a forte iluminação artificial na orla, conhecida como fotopoluição, confundiu o animal.
A equipe do IPCMar foi acionada e, com o apoio da Guarda Patrimonial de Castelhanos, conseguiu intervir rapidamente. Os profissionais guiaram a tartaruga em segurança de volta para o mar, garantindo seu bem-estar.
O caso acontece no início da temporada reprodutiva das tartarugas marinhas, que começou em setembro. O IPCMar alerta que a fotopoluição é uma das principais ameaças a esses animais. Além de desorientar as fêmeas adultas após a desova, as luzes artificiais também podem ser fatais para os filhotes, que seguem a luz para encontrar o oceano e podem acabar se movendo para áreas urbanas.
Especialistas reforçam a importância de reduzir a iluminação voltada para a faixa de areia durante este período para proteger as espécies.
A tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta) é classificada como "Vulnerável" tanto pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) quanto pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) do Brasil. O Espírito Santo é uma das principais áreas de desova da espécie no país.
As tartarugas marinhas, adultas e filhotes, são guiadas pelo horizonte mais claro sobre o oceano para se orientarem. As luzes artificiais de postes, casas e comércios competem com a luz natural da lua e das estrelas refletida na água, fazendo com que os animais caminhem na direção errada. Isso pode levar à exaustão, desidratação, atropelamentos e morte.
As áreas prioritárias para a desova da tartaruga-cabeçuda no Brasil estão localizadas nos litorais do norte do Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia e ao longo da costa de Sergipe, segundo o Projeto Tamar.
O resgate da tartaruga-cabeçuda em Anchieta serve como um lembrete urgente sobre os impactos da atividade humana nos ecossistemas marinhos. A colaboração entre a comunidade e órgãos de conservação é fundamental para mitigar ameaças como a poluição luminosa e garantir a sobrevivência de espécies vulneráveis.
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