Cientistas liberaram 62 mil litros de hidróxido de sódio no mar para avaliar se a técnica aumenta a absorção de CO2. Veja os resultados do experimento.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Pesquisadores da Woods Hole Oceanographic Institution (WHOI) realizaram um experimento inédito no Golfo do Maine, nos Estados Unidos, liberando cerca de 62,5 mil litros de uma solução de hidróxido de sódio, popularmente conhecida como soda cáustica, no oceano. Atualizado em 3 de outubro de 2026, o objetivo do teste foi avaliar se o aumento artificial da alcalinidade da água pode ampliar a capacidade do mar de absorver dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera e, assim, combater a acidificação oceânica.
A técnica, conhecida como Aumento da Alcalinidade Oceânica (OAE, na sigla em inglês), busca alterar temporariamente a química da água. Os oceanos absorvem naturalmente entre 25% e 30% das emissões de CO₂ geradas por atividades humanas, o que causa um aumento da acidez e prejudica ecossistemas marinhos, como corais e moluscos. Segundo os cientistas envolvidos no projeto LOC-NESS, a adição de uma substância alcalina como o hidróxido de sódio pode neutralizar parte dessa acidez, permitindo que o oceano capture mais CO₂ sem os mesmos efeitos negativos.
Com autorização da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA), a equipe liberou a solução alcalina de forma controlada durante aproximadamente seis horas na Bacia de Wilkinson. Para monitorar a dispersão do material, os pesquisadores utilizaram um conjunto de tecnologias avançadas, incluindo satélites, veículos submarinos autônomos, drones e sensores embarcados em navios.
A mancha rosa visível na superfície do mar não foi causada pela soda cáustica, que é incolor. Os cientistas adicionaram um corante rastreador chamado Rhodamine Water Tracer para acompanhar visualmente o deslocamento da água tratada. Isso permitiu que a equipe comparasse o comportamento real da mancha com os modelos computacionais e garantisse que a dispersão ocorria conforme o previsto.
Os primeiros resultados, apresentados em 2026, foram considerados promissores pela equipe. As análises indicaram que a intervenção não causou impactos biológicos mensuráveis nos organismos monitorados e que a química da água se comportou como o esperado.
De acordo com os dados preliminares divulgados pela WHOI, o experimento não provocou danos detectáveis nos organismos avaliados durante o período de monitoramento. Bactérias, plâncton e larvas de lagosta e peixes permaneceram dentro dos padrões normais.
Ainda não. Os pesquisadores ressaltam que este foi um primeiro passo para validar a metodologia em condições reais. A aplicação em larga escala exigiria volumes imensos de material, altos investimentos e mais estudos para entender os impactos de longo prazo em ecossistemas maiores e em comunidades pesqueiras.
O experimento no Golfo do Maine demonstrou que uma liberação controlada para aumentar a alcalinidade oceânica pode ser rastreada com precisão e que o mecanismo químico funciona como o esperado. No entanto, a técnica ainda está longe de ser uma solução global para as mudanças climáticas e é vista como uma ferramenta complementar, que não substitui a necessidade urgente de reduzir as emissões de gases de efeito estufa.
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