Menor que uma moeda, o raro sapo-pulga (Brachycephalus clarissae) foi reencontrado em Nova Friburgo (RJ). Entenda a importância da descoberta para a Mata Atlântica.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Um dos menores anfíbios do mundo, o sapo-pulga (Brachycephalus clarissae), foi encontrado em uma nova localidade em Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio. Atualizado em 17 de outubro de 2026, o registro ocorreu na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Alto da Figueira, dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) de Macaé de Cima. A descoberta, feita quatro anos após a descrição científica da espécie, amplia o mapa de ocorrência do animal e reforça a importância das unidades de conservação.
O Brachycephalus clarissae, popularmente conhecido como sapo-pulga ou pingo-de-ouro, é um anfíbio nativo da Mata Atlântica brasileira, descrito pela ciência em 2022. O novo registro é cientificamente relevante porque a espécie possui uma distribuição geográfica muito restrita. De acordo com o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), cada novo ponto de ocorrência ajuda os pesquisadores a entender melhor onde o animal vive e quais ambientes são cruciais para sua sobrevivência.
Os primeiros indivíduos foram avistados por estudantes de Biologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) durante uma aula de campo. Posteriormente, uma equipe de pesquisadores confirmou a presença do anfíbio na área, em um trabalho colaborativo entre a APA Macaé de Cima, a RPPN Alto da Figueira e o Instituto CiênciasBio.
Este anfíbio se destaca por seu tamanho diminuto e características únicas. Ele vive na serrapilheira, a camada de folhas e matéria orgânica no chão da floresta.
A descoberta do sapo-pulga na RPPN Alto da Figueira, uma reserva particular dentro da APA Macaé de Cima, evidencia a eficácia da proteção ambiental conjunta entre poder público e iniciativa privada. A APA Macaé de Cima abrange mais de 35 mil hectares de Mata Atlântica entre Nova Friburgo e Casimiro de Abreu, protegendo nascentes de rios importantes, como o Macaé e o Bonito.
Este registro reafirma o papel vital dessas áreas para a conservação de espécies endêmicas e pouco conhecidas, protegendo-as contra a perda de habitat e outras ameaças à biodiversidade.
O sapo-pulga é um dos menores anfíbios do mundo. Os machos atingem até 9,6 mm e as fêmeas, até 10,9 mm, sendo menores que uma moeda de um centavo.
Ele habita a serrapilheira (camada de folhas no chão) de florestas montanhosas bem preservadas da Mata Atlântica, como as encontradas na Região Serrana do Rio de Janeiro.
Não. A espécie possui desenvolvimento direto, o que significa que o filhote já nasce do ovo como um sapo em miniatura, sem passar pela fase larval de girino.
O reencontro do sapo-pulga em Nova Friburgo é uma notícia animadora para a ciência e a conservação. Além de ampliar o conhecimento sobre uma espécie rara, o fato destaca o sucesso das unidades de conservação na proteção da rica, e muitas vezes invisível, biodiversidade da Mata Atlântica.
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