Mais de mil aves migratórias morreram ou ficaram feridas ao colidir com arranha-céus em Chicago durante o pico da migração. Entenda a causa da tragédia.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Mais de 1.000 pássaros migratórios morreram ou ficaram feridos após colidirem com prédios em Chicago durante o fim de semana dos dias 17 e 18 de outubro. A tragédia ocorreu após uma onda de mais de cinco milhões de aves sobrevoar a cidade na noite de sexta-feira (16), impulsionada por ventos favoráveis de uma frente fria, em seu trajeto para o sul em busca de climas mais quentes. Atualizado em 23 de outubro de 2026.
O desastre foi resultado de uma combinação de fatores. Chicago está localizada no meio de uma das maiores rotas migratórias da América do Norte, o "Mississippi Flyway". Durante a noite, as aves são atraídas e desorientadas pela iluminação artificial dos edifícios. Além disso, elas não conseguem distinguir os vidros dos prédios, confundindo os reflexos do céu ou da vegetação com um caminho livre, o que leva a colisões fatais.
Segundo a organização Chicago Bird Collision Monitors, o evento foi particularmente intenso devido ao enorme volume de pássaros migrando simultaneamente sob condições climáticas específicas, criando uma "combinação que sabemos muito bem que pode ser mortal", conforme relatado por associações ambientalistas.
Cerca de 25 voluntários da Chicago Bird Collision Monitors percorreram a cidade no sábado, do amanhecer ao pôr do sol, para coletar os animais. Annette Prince, diretora da organização, descreveu a cena como avassaladora: "Encontrávamos uma ave perto de um prédio, dávamos a volta nele e, logo em seguida, encontrávamos outra. Havia aves colidindo contra as janelas de vidro bem acima de nossas cabeças".
Especialistas e ativistas defendem medidas para tornar a cidade mais segura para as aves. A principal recomendação é que os edifícios apaguem suas luzes durante a noite no período de migração. Outra solução é a adoção de "prédios amigos dos pássaros", que utilizam vidros texturizados, com padrões ou películas que os tornam visíveis para as aves.
Após um evento semelhante em 2023, quando quase mil pássaros morreram em uma única noite ao colidir com o centro de convenções McCormick Place, o local instalou uma película protetora em suas janelas, resultando em uma queda drástica no número de colisões. Ativistas agora pressionam a prefeitura de Chicago para aprovar uma lei que exija essas proteções em novas construções e grandes reformas, seguindo o exemplo de cidades como Nova York e São Francisco.
Chicago está em uma das maiores rotas de migração de aves da América do Norte. A combinação de arranha-céus com vidro e forte iluminação noturna cria uma armadilha mortal para milhões de aves que cruzam a cidade, especialmente durante os picos migratórios.
Estima-se que entre 365 milhões e 1 bilhão de aves morram anualmente devido a colisões com vidros e edifícios apenas nos Estados Unidos, segundo a American Bird Conservancy.
As principais medidas são apagar as luzes de prédios comerciais e residenciais durante a noite nos períodos de migração e a instalação de barreiras visuais nos vidros, como películas, adesivos ou redes, para que as aves possam identificar os obstáculos.
A morte de mais de mil pássaros em Chicago serve como um trágico lembrete do impacto das estruturas urbanas na vida selvagem. Embora o evento tenha sido chocante, ele reforça a urgência de soluções já conhecidas, como a redução da poluição luminosa e a adoção de arquitetura sustentável, para garantir uma passagem segura para as aves migratórias.
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