Após 70 anos de extinção local, onças-pintadas retornam ao Parque Iberá, na Argentina. Saiba como o projeto de reintrodução recuperou a espécie.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
As onças-pintadas estão de volta ao Parque Iberá, na Argentina, após 70 anos de extinção local, marcando uma vitória histórica para a conservação. Atualizado em 6 de julho de 2026, o projeto já estabeleceu uma população de pelo menos 50 felinos na região, tornando-se um símbolo global de recuperação de ecossistemas e do papel crucial dos predadores de topo.
O retorno dos felinos, chamados de yaguaretés na Argentina, é resultado de um esforço de "refaunação" liderado pela Fundación Rewilding Argentina e Tompkins Conservation. O processo envolve a criação em cativeiro, reabilitação e soltura monitorada de animais em uma área protegida de mais de 680 mil hectares, rica em presas como capivaras e cervos dos pântanos.
Os primeiros indivíduos, uma fêmea chamada Mariua e seus dois filhotes, foram soltos em janeiro de 2021. Desde então, outros animais foram liberados, incluindo o primeiro macho, Jatobazinho, em 2022. O sucesso do projeto é medido pelo nascimento de filhotes em liberdade, indicando que a população está se tornando autossustentável.
A onça-pintada, como maior felino das Américas e predador de topo, desempenha um papel fundamental no equilíbrio do ecossistema. Sua presença ajuda a controlar as populações de herbívoros e outros animais, o que pode alterar o comportamento das presas e a pressão sobre a vegetação, reorganizando toda a cadeia alimentar.
Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), a reintrodução de predadores como a onça-pintada ajuda a restaurar processos naturais e a saúde do ecossistema, combatendo a perda de biodiversidade.
O projeto de reintrodução no Parque Iberá apresenta resultados concretos que demonstram sua eficácia. Os dados mais relevantes incluem:
As onças-pintadas desapareceram da região de Iberá há cerca de sete décadas devido a uma combinação de fatores, principalmente a caça ilegal por suas peles, a perda de habitat causada pelo desmatamento e os conflitos com atividades rurais.
O retorno da onça-pintada impulsionou a economia da região através do ecoturismo. A observação da vida selvagem se tornou uma fonte de emprego para guias e serviços locais, transformando o felino em um motor para as economias das cidades no entorno do parque.
O retorno bem-sucedido das onças-pintadas ao Parque Iberá é mais do que a salvação de uma espécie; é a prova de que a restauração de ecossistemas em larga escala é possível com planejamento, monitoramento e engajamento comunitário. O caso se tornou uma referência global, mostrando como a "refaunação" pode recuperar a biodiversidade e gerar desenvolvimento sustentável.
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