Felino que ameaçava sustento de produtores foi reencontrado um ano após instalação de cerca elétrica, provando que a coexistência é possível. Entenda o caso.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Uma onça-pintada que atacava gado e quase forçou uma família de produtores rurais a abandonar sua propriedade no Pantanal de Mato Grosso foi reencontrada cerca de um ano depois, acompanhada por dois filhotes. O caso, divulgado em 29 de setembro de 2026, demonstra o sucesso de uma estratégia de convivência que protegeu o rebanho sem a necessidade de remover o felino de seu território.
A onça, batizada de Cyntia, era monitorada pelo Instituto Impacto após uma série de ataques a animais de uma pequena propriedade ribeirinha. Segundo a organização, os prejuízos afetaram o sustento dos produtores, conhecidos como seu Zé e dona Gonza, que chegaram a considerar a possibilidade de se mudar para a cidade, conforme noticiado pelo jornal O Globo.
Para resolver o impasse, o Instituto Impacto implementou uma solução simples e eficaz: a instalação de um curral elétrico de fechamento noturno. A estrutura passou a proteger o gado durante o período de maior vulnerabilidade aos ataques. De acordo com o instituto, após a instalação da cerca, não foram registradas novas perdas de animais na propriedade por predação de onças.
Essa estratégia faz parte do Programa Integrado Pantanal de Coexistência. Um estudo da mesma instituição apontou que o uso de cercas eletrificadas reduziu em 83% a predação em outra área monitorada, sem nenhum ataque registrado dentro dos currais protegidos.
Pouco mais de um ano após a implementação da medida, câmeras de monitoramento registraram Cyntia novamente. A surpresa foi que ela não estava sozinha, mas acompanhada de dois filhotes saudáveis. O registro confirmou que a onça continuou vivendo livremente em seu território, enquanto os produtores puderam manter seu sustento em segurança, provando que a convivência entre humanos e o maior felino das Américas é viável.
O avanço de atividades humanas como a agropecuária sobre habitats naturais, como o Pantanal, fragmenta os territórios das onças. Isso aumenta o contato com fazendas, e o gado pode se tornar uma presa mais fácil em comparação com animais silvestres como o jacaré-do-pantanal ou o tamanduá-bandeira. O conflito não ocorre por um aumento descontrolado da população de onças, mas pela conversão de seus habitats, segundo especialistas.
Não. Cientificamente, seres humanos não fazem parte da dieta da onça-pintada. De acordo com diretrizes do Instituto Homem Pantaneiro (IHP), ataques não provocados são extremamente raros em toda a América Latina e ocorrem quase exclusivamente quando o animal está acuado, ferido ou defendendo filhotes ou uma carcaça.
A onça-pintada (Panthera onca) é um predador de topo de cadeia, essencial para o equilíbrio do ecossistema. Com uma dieta que inclui mais de 85 espécies, ela regula a população de outros animais, mantendo a saúde do bioma. A espécie é considerada "Vulnerável" no Brasil, e sua proteção é fundamental para a conservação da biodiversidade pantaneira.
O caso de Cyntia e sua nova prole no Pantanal é um exemplo concreto de que é possível mitigar conflitos entre a vida selvagem e a produção rural. Estratégias de manejo, como as cercas elétricas, permitem proteger o patrimônio dos produtores e, ao mesmo tempo, garantir a permanência de espécies-chave como a onça-pintada em seus habitats naturais.
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