Conheça a história de Cigarra, Formiga e Cupim, três macacos-aranha-da-testa-branca que sobreviveram a tragédias e agora integram um programa vital no Zoo de SP.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Atualizado em 9 de julho de 2026. Três macacos-aranha-da-testa-branca (Ateles marginatus), batizados de Cigarra, Formiga e Cupim, iniciaram uma nova vida no Zoológico de São Paulo após serem resgatados de situações de risco em Mato Grosso. A chegada do trio representa um reforço crucial para o programa de conservação da espécie, endêmica da Amazônia brasileira e classificada como "Em Perigo" de extinção.
A transferência dos três macacos-aranha para a capital paulista visa ampliar a população de segurança mantida sob cuidados humanos e garantir a diversidade genética. No Zoológico de São Paulo, eles se juntaram a Joca, o único representante da espécie que já vivia no local, formando um novo grupo com dois machos (Joca e Cupim) e duas fêmeas (Cigarra e Formiga), segundo informações do Portal Pet News.
A bióloga Tays Izidoro, do Zoológico de São Paulo, é a responsável pelo studbook da espécie no Brasil. Trata-se de um banco de dados que reúne o histórico de todos os animais em cativeiro para orientar a formação de casais e o manejo genético, uma ferramenta essencial para a sobrevivência do macaco-aranha-da-testa-branca, conforme detalhado pelo Portal Viva.
Cada um dos macacos-aranha carrega uma trajetória de superação. Antes de chegarem a São Paulo, eles foram reabilitados no Centro de Vida Selvagem (CeVS) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Sinop.
A fêmea Cigarra, com aproximadamente três anos, foi encontrada ainda filhote e órfã após um incêndio florestal em uma área no norte de Mato Grosso, de acordo com relatos da Voe News.
Formiga, a fêmea mais velha do grupo com cerca de oito anos, foi resgatada pelo Corpo de Bombeiros em uma rodovia após ser atropelada, como informado pelo Portal Pet News.
O macho Cupim, hoje com cerca de quatro anos, foi localizado ainda filhote ao lado do corpo da mãe, que morreu vítima de atropelamento em uma via urbana de Sinop, segundo o CeVS/UFMT.
No CeVS, sob a coordenação da professora Elaine Dione, o trio recebeu cuidados veterinários, nutricionais e comportamentais para preservar seus instintos naturais. A transferência para São Paulo, que por via terrestre levaria cerca de 18 horas a mais, foi viabilizada pelo programa "Avião Solidário" da LATAM, que realizou o transporte aéreo gratuito de Cuiabá a Guarulhos em março, garantindo menos estresse aos animais.
Após cumprirem um período de quarentena e adaptação, os três macacos-aranha foram integrados com sucesso a Joca e já podem ser vistos pelo público na ilha dos primatas do zoológico.
A espécie é classificada como "Em Perigo" de extinção pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), principalmente devido ao desmatamento, incêndios e fragmentação de seu habitat.
É uma espécie endêmica do Brasil, encontrada nos estados do Pará e do Mato Grosso, na região entre os rios Tapajós, Teles Pires e Xingu, ao sul do rio Amazonas, conforme o Instituto Evandro Chagas.
A formação de um novo grupo reprodutivo é vital para aumentar a "população de segurança" e a variabilidade genética da espécie sob cuidados humanos, uma estratégia fundamental do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Primatas Amazônicos.
A jornada de Cigarra, Formiga e Cupim é um poderoso exemplo de resiliência e da importância de esforços colaborativos entre universidades, zoológicos e a iniciativa privada para a conservação da fauna brasileira. A união do grupo no Zoológico de São Paulo acende uma nova esperança para o futuro de uma das espécies de primatas mais ameaçadas das Américas.
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