Considerado extinto há quase um século, o lóris-lento-de-Bangka foi redescoberto na Indonésia. Mais de 90 indivíduos foram resgatados na última década.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O lóris-lento-de-Bangka (Nycticebus bancanus), um primata peçonhento que não era registrado cientificamente desde a década de 1930, teve sua sobrevivência confirmada na Indonésia. Atualizado em 23 de outubro de 2026, um novo estudo revelou que mais de 90 indivíduos foram resgatados na ilha de Bangka ao longo da última década, provando que a espécie não está extinta.
A confirmação da sobrevivência da espécie, antes classificada como "criticamente em perigo e possivelmente extinta" pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), foi publicada na revista científica alemã Spixiana. A pesquisa se baseia nos registros do Alobi Wildlife Rescue Center, uma organização local que resgatou mais de 90 lóris entre 2015 e 2025, conforme relatado por diversas fontes, incluindo a Re:wild.
Muitos dos animais foram encontrados por moradores em áreas urbanas, como jardins, estradas e até mesmo em fiações elétricas, o que causou ferimentos graves em alguns deles. Dentre os primatas resgatados, 86 conseguiram se recuperar e foram devolvidos a habitats florestais protegidos na ilha, segundo o estudo.
Para os cientistas, a presença dos lóris em diferentes partes da ilha de Bangka indica que a espécie resistiu apesar da destruição de seu habitat e da falta de atenção científica por quase um século. "O que considero surpreendente é que um primata tão carismático e singular tenha recebido tão pouca atenção científica por quase um século", afirmou Timon Glaw, coautor do estudo, em declaração à Folha de S.Paulo.
O Nycticebus bancanus é um primata noturno e arborícola, conhecido por seus olhos grandes, pelagem castanho-avermelhada e movimentos lentos e deliberados. Evolutivamente, ele é mais próximo dos lêmures de Madagascar do que de macacos ou grandes símios. Sua característica mais notável, no entanto, é ser um dos únicos primatas peçonhentos do mundo.
O lóris-lento possui glândulas próximas aos cotovelos que secretam uma toxina. Quando ameaçado, o animal lambe essa secreção, misturando-a com sua saliva para ativar o veneno, que é inoculado através da mordida. Em humanos, a peçonha pode causar reações alérgicas graves e até mesmo anafilaxia fatal, conforme detalhado por pesquisadores.
Apesar da boa notícia da redescoberta, o futuro do lóris-lento-de-Bangka permanece incerto. As principais ameaças à sua sobrevivência são:
Conservacionistas defendem a proteção urgente das florestas remanescentes e a realização de estudos para determinar o tamanho e a distribuição da população atual da espécie.
Não. A espécie foi considerada "possivelmente extinta" por quase um século, mas um estudo de 2026 confirmou sua sobrevivência na ilha de Bangka, na Indonésia, após o resgate de mais de 90 indivíduos.
Ele é endêmico da ilha de Bangka, localizada na costa sudeste de Sumatra, na Indonésia. É um animal arborícola, que vive nas florestas da região.
Sim. É um dos únicos primatas peçonhentos do mundo. Sua mordida pode inocular uma toxina que causa reações alérgicas graves em humanos, com risco de choque anafilático e morte.
A redescoberta do lóris-lento-de-Bangka é uma vitória para a conservação, demonstrando que espécies consideradas perdidas podem sobreviver mesmo em locais inesperados. No entanto, a notícia também serve como um alerta crítico sobre a necessidade de ações imediatas para proteger seu habitat da mineração e do desmatamento, garantindo que este primata único não desapareça de fato.
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