Pesquisadores encontraram plástico, vidro e metal a 5 mil metros de profundidade no Calypso Deep, o ponto mais fundo do Mar Mediterrâneo. Entenda o impacto.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Pesquisadores encontraram um grande acúmulo de lixo humano a cerca de 5 mil metros de profundidade no Calypso Deep, o ponto mais fundo do Mar Mediterrâneo. A descoberta, feita por uma equipe da Universidade de Barcelona, revela a alarmante extensão da poluição em um dos ecossistemas mais remotos e inacessíveis do planeta. Atualizado em 20 de julho de 2026.
Durante uma expedição utilizando o submersível tripulado Limiting Factor, os cientistas registraram 167 objetos no leito marinho do Mar Jônico, um braço do Mediterrâneo. Conforme o estudo publicado na revista científica Marine Pollution Bulletin, 148 desses itens foram classificados como lixo, sendo a grande maioria composta por plástico (88%), além de vidro, metal e papel. A concentração de detritos atingiu 26.715 itens por quilômetro quadrado, um dos valores mais altos já registrados em águas profundas.
A investigação aponta para a ação humana direta como principal causa. "Encontramos indícios claros de descarte intencional de sacos de lixo por embarcações", explicou Miguel Canals, diretor da Economia Azul Sustentável da Universidade de Barcelona, em declarações publicadas nos portais Náutica e ND Mais. Além do descarte direto, o lixo que chega aos oceanos por meio de rios e esgotos é transportado por correntes oceânicas e, com o tempo, afunda, acumulando-se nas bacias profundas.
A situação é crítica e não se restringe ao Calypso Deep. Pesquisas anteriores já haviam identificado o Estreito de Messina, entre a Itália e a Sicília, como a área com a maior densidade de lixo marinho do planeta. A conclusão dos pesquisadores é desoladora: "Infelizmente, não seria exagero dizer que não há mais nenhum ponto limpo no Mediterrâneo", afirmou Canals. Segundo dados da ONU citados no estudo, mais de 11 milhões de toneladas de plástico entram nos oceanos anualmente, um número que pode triplicar até 2040 se medidas eficazes não forem tomadas.
O Calypso Deep é a região mais profunda do Mar Mediterrâneo, localizada no Mar Jônico, ao sul do Mar Adriático. Sua profundidade chega a cerca de 5.122 metros, tornando-o um ambiente de difícil acesso e exploração.
O lixo encontrado é majoritariamente plástico, representando 88% dos detritos identificados. Também foram encontrados objetos de vidro, metal e papel, todos de origem humana.
Os cientistas defendem a necessidade de políticas globais mais rígidas para reduzir a geração de lixo e limitar o descarte no ambiente marinho. Isso inclui mudanças nas práticas de consumo, incentivos à economia circular e maior investimento em educação ambiental.
A descoberta de lixo no ponto mais profundo do Mediterrâneo serve como um alerta contundente sobre o alcance da poluição humana. Mesmo os locais mais remotos do planeta não estão imunes aos impactos de nossas ações. A conservação das profundezas oceânicas, como conclui o professor Miguel Canals, é uma luta que "precisa mudar" e sair da invisibilidade para se tornar uma prioridade global.
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