Em ilhas remotas, helicópteros e drones espalham toneladas de iscas para exterminar roedores que devoram filhotes de albatroz vivos. Entenda a operação.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Operações de grande escala, usando helicópteros e drones, estão espalhando toneladas de iscas venenosas em ilhas remotas para erradicar superpopulações de camundongos. Atualizado em 7 de setembro de 2026. Esses roedores invasores, introduzidos por navios, evoluíram para predadores que atacam e devoram filhotes e até albatrozes adultos vivos, ameaçando a sobrevivência de milhões de aves marinhas.
Introduzidos acidentalmente em ilhas oceânicas por navios de caça de focas e baleeiros a partir do século XIX, os camundongos domésticos (Mus musculus) encontraram ecossistemas sem predadores naturais. Em locais como a Ilha de Gough, a seleção natural favoreceu os roedores maiores e mais agressivos, que aprenderam a atacar filhotes de aves como fonte de alimento, especialmente durante invernos rigorosos, conforme relatado por Fabio Olmos em ((o))eco. Esses "super roedores" chegam a pesar o dobro de um camundongo comum.
Na Ilha Marion, o aumento das temperaturas devido às mudanças climáticas estendeu a temporada de reprodução dos camundongos, resultando em uma explosão populacional, de acordo com o Estadão. Com a escassez de invertebrados, sua dieta principal, os roedores passaram a atacar sistematicamente as aves, que não desenvolveram mecanismos de defesa contra predadores terrestres.
Para combater a praga, conservacionistas realizam projetos ambiciosos de erradicação, descritos como verdadeiras operações de guerra. A estratégia consiste em espalhar iscas com rodenticida por toda a área livre de gelo das ilhas, garantindo que nenhum roedor sobreviva.
Em ilhas como Geórgia do Sul e Marion, helicópteros são usados para lançar centenas de toneladas de iscas envenenadas sobre o território. Já em locais de difícil acesso, como a Ilha Browse, na Austrália, drones customizados são empregados para garantir uma distribuição precisa em meio à vegetação densa e ao calor extremo, como noticiado pelo Um Só Planeta.
O sucesso da erradicação depende da eliminação de 100% dos roedores. Conforme destacado em reportagem do O Globo sobre a Geórgia do Sul, um único casal de ratos sobrevivente poderia gerar mais de 15.500 descendentes em um ano. Se uma única fêmea grávida sobreviver, todo o esforço e o investimento milionário podem ser em vão, tornando a precisão da operação um fator crítico.
Os roedores atacam em grupo, geralmente à noite, e comem as aves vivas. Eles escalam os filhotes, que podem pesar até 10 kg, e abrem feridas em suas costas ou cabeças. As aves, sem defesa contra esse tipo de predador, muitas vezes não reagem. A morte ocorre pelas feridas, por infecções secundárias ou inanição, segundo relatos do projeto Mouse-Free Marion.
As iscas são projetadas para minimizar o impacto em outras espécies e não contaminar o solo ou a água. As operações são planejadas para períodos em que muitas aves migratórias estão ausentes. Embora alguns animais possam ser afetados individualmente, os conservacionistas afirmam que o benefício de salvar ecossistemas inteiros e múltiplas espécies da extinção local supera os riscos.
Diversas ilhas santuários de aves marinhas já realizaram ou planejam operações de erradicação. Entre as mais notáveis estão a Ilha de Gough (território britânico), a Ilha Marion (África do Sul), a Geórgia do Sul (território britânico) e a Ilha Browse (Austrália).
A erradicação de camundongos invasores em ilhas remotas é um esforço de conservação drástico, mas essencial. Diante da ameaça de extinção local para dezenas de espécies de aves marinhas, o uso de tecnologia para distribuir iscas venenosas tornou-se uma solução crucial para restaurar ecossistemas insulares e garantir um futuro para essas populações de aves.
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