Em Ilha Grande, no litoral do Piauí, o avanço das dunas sobre ruas e casas é um fenômeno anual. Entenda como a prefeitura e projetos ambientais atuam.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Em Ilha Grande, município do litoral do Piauí, moradores convivem com um fenômeno natural que redesenha a paisagem anualmente: o avanço das dunas de areia sobre ruas, casas e estradas. A situação exige ações constantes do poder público para garantir a mobilidade e a segurança da população. Atualizado em 22 de junho de 2026.
O avanço das dunas é um processo natural impulsionado pela interação entre vento, mar e areia. No Piauí, algumas dunas podem se mover até 20 metros por ano, segundo uma pesquisa citada pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh). Em Ilha Grande, a comunidade sofria há anos com o avanço da areia em direção às residências e à estrada que leva ao porto de embarque para o Delta do Parnaíba, conforme relatado por fontes locais.
O fenômeno não é exclusivo do Nordeste. Em cidades do litoral do Rio Grande do Sul, como Tramandaí e Imbé, o forte vento, conhecido como "Nordestão", também empurra a areia para áreas urbanas, cobrindo passarelas de acesso à praia, invadindo terrenos e até causando o desabamento de telhados.
Para mitigar o problema, um projeto desenvolvido pela Semarh em parceria com a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf-PI) busca conter o avanço das dunas no litoral piauiense. A iniciativa foca no plantio de mudas nativas para desacelerar o processo erosivo.
A primeira etapa do projeto em Ilha Grande, iniciada há sete anos, já foi executada em uma área de 131 hectares, com um investimento superior a R$ 2 milhões. As ações incluíram:
Segundo a Codevasf-PI, um dos impactos positivos do bloqueio do processo erosivo é a preservação de um dos braços do rio Parnaíba que cruza a região. O objetivo do governo estadual é expandir a iniciativa para outras localidades do litoral, como Macapá e Luís Correia.
As dunas são formadas pela areia que os rios depositam no mar. As correntes oceânicas transportam essa areia pela costa e as ondas a devolvem para a praia. Em seguida, o vento leva a areia para o interior, formando as dunas. Segundo o geólogo Érico Rodrigues Gomes, esse é um ciclo contínuo em que o vento é o principal agente de transporte.
Não. Especialistas como o geólogo Érico Rodrigues consideram as medidas de contenção, como o plantio de vegetação, como soluções paliativas e temporárias em uma escala de tempo geológica. Ele afirma que o vento é um agente natural que não pode ser parado e que, do ponto de vista da geologia, o erro está na permissão para construir em áreas de migração natural das dunas.
O avanço das dunas em Ilha Grande, no Piauí, evidencia o desafio de conciliar o desenvolvimento urbano e a dinâmica de ecossistemas costeiros. Embora projetos de contenção com vegetação nativa apresentem resultados positivos na mitigação dos impactos, o fenômeno é parte de um processo geológico contínuo, exigindo um planejamento de longo prazo e a conscientização sobre a ocupação de áreas de preservação.
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