Uma jovem de 16 anos usou resíduos de laranja e abacate para criar um material superabsorvente que retém água no solo, combatendo a seca. Entenda como a inovação funciona.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Uma estudante sul-africana de 16 anos desenvolveu um material superabsorvente a partir de cascas de laranja e componentes de abacate para combater os efeitos da seca. A invenção, criada com resíduos da indústria de sucos, é biodegradável, de baixo custo e capaz de reter significativamente mais água no solo do que os polímeros comerciais existentes, oferecendo uma esperança para agricultores em regiões áridas. Atualizado em 5 de julho de 2026.
A jovem cientista, Kiara Nirghin, desenvolveu o projeto em resposta à pior seca a atingir a África do Sul desde 1982. Ela descobriu que a casca de laranja contém 64% de polissacarídeos, o que a torna um polímero natural em potencial, segundo o portal Qualfood. O processo para criar o material envolveu o uso de luz ultravioleta, calor e um componente natural do abacate para "cozinhar" as cascas de laranja.
Após 45 dias de testes, a mistura resultante demonstrou uma capacidade de absorção 76,1% maior que a dos superabsorventes sintéticos usados na agricultura. A grande vantagem é que, ao contrário dos produtos comerciais, a solução de Nirghin é totalmente biodegradável.
O projeto se destaca por sua simplicidade e acessibilidade. "Os únicos recursos envolvidos na conceção da ‘mistura de cascas de laranja’ foram eletricidade e tempo, nenhum equipamento ou materiais especiais foram requeridos", afirmou Nirghin em sua candidatura a um prêmio científico. A criação rendeu à estudante uma bolsa de estudos de 45 mil euros e o prêmio "Impacto Comunitário", que reconhece propostas de jovens da África e do Oriente Médio.
A iniciativa de Kiara Nirghin faz parte de uma tendência global de jovens cientistas criando soluções para a escassez de água. No Brasil, por exemplo, estudantes baianos desenvolveram um revestimento para sementes a partir de resíduos alimentares que permite a germinação com apenas 3 ml de água, conforme noticiado pelo Portal da Indústria. Em Pernambuco, um jovem de 14 anos criou uma bomba eólica com material reciclável para levar água a famílias em áreas secas, projeto que ganhou prêmios internacionais, de acordo com o G1.
Kiara Nirghin utilizou cascas de laranja, ricas em polissacarídeos, e um componente natural extraído do abacate. O processo envolveu calor e luz ultravioleta para transformar os resíduos em um polímero superabsorvente.
Sim. Segundo os testes realizados pela estudante, o material absorve 76,1% mais água que os polímeros superabsorventes comerciais. Além disso, é totalmente biodegradável e de baixo custo, ao contrário de muitas alternativas sintéticas.
A invenção de Kiara Nirghin demonstra como a observação e a criatividade podem transformar resíduos comuns em soluções poderosas para desafios globais como a seca. Ao criar um material barato, biodegradável e altamente eficiente, a jovem oferece uma ferramenta valiosa para agricultores e comunidades que sofrem com a escassez de água, inspirando uma nova geração de inovadores.
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