A temporada de baleias-jubartes começou no Parque Nacional de Abrolhos, principal berçário da espécie no Brasil. Saiba mais sobre a migração e as pesquisas.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
As baleias-jubartes já foram avistadas no Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, no litoral sul da Bahia, marcando o início da temporada reprodutiva de 2026. Atualizado em 19 de agosto de 2026, o evento confirma a migração anual dos cetáceos das áreas de alimentação polar para as águas tropicais brasileiras, onde se reproduzem e dão à luz.
Pesquisadores do Instituto Baleia Jubarte (IBJ) já estão na região realizando a coleta de amostras para pesquisas biológicas, aproveitando a concentração dos animais. Segundo a Agência Brasil, Abrolhos é o principal ponto reprodutivo da espécie, reunindo cerca de 90% das jubartes que chegam ao país.
A presença massiva das baleias-jubartes hoje é um contraste com a situação de poucas décadas atrás. A população da costa brasileira foi reduzida a algumas centenas de indivíduos devido à caça, que foi mundialmente proibida em 1986. Graças a esforços de conservação e pesquisa, a espécie se recuperou de forma impressionante.
De acordo com o último censo do Instituto Baleia Jubarte, de 2022, a população atual chega a quase 35 mil indivíduos. O sucesso foi tanto que, em 2014, a baleia-jubarte foi retirada da lista oficial de espécies ameaçadas de extinção no Brasil.
O Arquipélago de Abrolhos, localizado a cerca de 70 km da costa de Caravelas (BA), oferece as condições ideais para as baleias-jubartes. As águas quentes e rasas são perfeitas para as fêmeas darem à luz e amamentarem seus filhotes em segurança. A temporada de observação e pesquisa ocorre anualmente entre junho e novembro.
A migração é uma jornada de milhares de quilômetros. As baleias que frequentam o litoral brasileiro vêm da região das ilhas Geórgia do Sul e Sandwich, na Antártida, sua principal área de alimentação durante o verão polar.
O trabalho científico é fundamental para a proteção da espécie. Pesquisadores do IBJ utilizam diversas técnicas para entender o comportamento, a saúde e a rota migratória das baleias.
Em campo, biólogos utilizam uma balestra para disparar uma flecha especial que retira um pequeno fragmento de pele e gordura do animal. Essa biópsia permite estudos genéticos para estabelecer relações de parentesco e entender a saúde da população.
Outra técnica crucial é a foto-identificação. A cauda de cada baleia-jubarte possui um padrão único de manchas brancas e pretas, funcionando como uma impressão digital. As fotos são cadastradas em plataformas como a Happy Whale, que usa inteligência artificial para identificar indivíduos e rastrear seus deslocamentos, como o caso de uma jubarte que viajou mais de 15 mil quilômetros do Brasil até a Austrália.
Elas migram para as águas quentes e protegidas do litoral baiano, especialmente em Abrolhos, para acasalar, dar à luz e amamentar seus filhotes durante o inverno e a primavera no hemisfério sul.
A temporada de avistamento de baleias-jubartes no Brasil ocorre entre os meses de junho e novembro, quando elas permanecem na costa para seu ciclo reprodutivo.
Não. A espécie foi retirada da lista de animais ameaçados de extinção no Brasil em 2014. No entanto, agora enfrenta novas ameaças, como o aumento do tráfego marítimo, o risco de colisão com navios, o emalhamento em redes de pesca e os impactos das mudanças climáticas em suas fontes de alimento.
O retorno anual das baleias-jubartes a Abrolhos é uma celebração da natureza e um testemunho do sucesso dos esforços de conservação baseados em ciência. O monitoramento contínuo é essencial para garantir a convivência harmoniosa entre as atividades humanas e a população saudável desses gigantes marinhos, que voltaram a abundar no litoral brasileiro.
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