Aves trinta-réis-de-bando, ameaçadas de extinção, criaram um ninho em pilar da Terceira Ponte após a gripe aviária. Entenda os riscos e o trabalho da força-tarefa.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Atualizado em 22 de junho de 2026. Uma colônia de trinta-réis-de-bando de bico amarelo (Thalasseus acuflavidus), espécie que entrou para a lista de animais ameaçados de extinção no Espírito Santo em 2022, transformou um dos pilares da Terceira Ponte em um berçário improvisado. A adaptação, uma provável consequência da epidemia de gripe aviária de 2023, criou um novo desafio: filhotes estão caindo no mar antes de aprender a voar, mobilizando uma força-tarefa de pesquisadores, veterinários e voluntários para o resgate.
A mudança de comportamento da espécie ocorreu após a epidemia de gripe aviária em 2023, que dizimou milhares de aves em suas colônias tradicionais, especialmente em ilhas de Vila Velha. Segundo Luis Felipe Mayorga, médico-veterinário e diretor do Instituto de Pesquisa e Reabilitação de Animais Marinhos (Ipram), a memória da alta mortalidade pode ter levado as aves a procurar locais alternativos. "Nossa suspeita é que elas olhem para aqueles lugares onde houve tanta mortalidade e entendam que aquele não é mais um bom lugar para reproduzir", afirmou Mayorga em reportagem ao G1.
A população de trinta-réis no estado já vinha em declínio. De cerca de 14 mil aves nos anos 1990, a estimativa atual é de apenas 1.500 a 1.700 adultos em reprodução, de acordo com pesquisadores.
O pilar da ponte, com cerca de seis metros de altura em relação ao mar, oferece uma superfície de concreto com pouco espaço. Os trinta-réis têm um comportamento chamado nidifugia, no qual os filhotes deixam os ninhos poucos dias após o nascimento e se agrupam em "creches", como explica o biólogo do Ipram, Wilson Meirelles. Nas ilhas, esse comportamento é seguro, mas na estrutura da ponte, muitos filhotes chegam à borda e caem.
O principal risco não é a queda em si, mas a hipotermia. "As aves adultas conseguem mergulhar porque têm uma secreção oleosa que impermeabiliza as penas. Os filhotes ainda não possuem essa característica. Quando caem na água, encharcam rapidamente e podem morrer de hipotermia", detalhou Meirelles ao G1.
Para mitigar as perdas, uma equipe formada por membros do Ipram e voluntários monitora a colônia diariamente. O trabalho, realizado sem financiamento específico, envolve o resgate de filhotes que caem na água e a realocação para áreas seguras. Até a publicação da reportagem original, cerca de 100 filhotes já haviam sido resgatados na temporada de 2026.
"Se a gente não salvar esses filhotes, pode ser que ela [a população] não consiga voltar a crescer e acelere o caminho para a extinção", alertou Mayorga.
As aves buscaram um novo local para reprodução após a epidemia de gripe aviária de 2023 ter devastado suas colônias tradicionais em ilhas costeiras, segundo especialistas ouvidos pelo G1.
O maior perigo é a queda de seis metros na água. Como os filhotes ainda não têm as penas impermeabilizadas como os adultos, eles se encharcam e podem morrer de hipotermia.
Sim, o trinta-réis-de-bando de bico amarelo entrou para a lista de espécies ameaçadas de extinção no estado do Espírito Santo em 2022. Curiosamente, foram essas aves que primeiro indicaram a chegada da gripe aviária ao Brasil em 2023.
A presença dos trinta-réis-de-bando na Terceira Ponte é um exemplo dramático de como as espécies tentam se adaptar a um ambiente em constante mudança, muitas vezes impactado por doenças e pela urbanização. O esforço voluntário da força-tarefa é crucial para garantir a sobrevivência dos filhotes e a recuperação de uma população já fragilizada.
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