O distrito de Atafona (RJ) enfrenta um grave processo de erosão costeira, com o mar avançando e destruindo centenas de casas. Entenda as causas do fenômeno.
Olyvio Marques
Editor · Meio Ambiente · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O distrito de Atafona, localizado em São João da Barra, no norte do Rio de Janeiro, é a localidade brasileira que está gradualmente desaparecendo sob o avanço do mar. O fenômeno, conhecido como transgressão marinha, já destruiu cerca de 500 construções e avança, em média, cinco metros por ano sobre a costa. Atualizado em 22 de junho de 2026.
Atafona enfrenta um severo e crônico processo de erosão costeira que se intensificou a partir da década de 1970. O avanço do Oceano Atlântico sobre a faixa de areia já submergiu mais de 500 casas, comércios e ruas, transformando a paisagem do antigo balneário. O problema é tão grave que um relatório da ONU incluiu Atafona entre as 31 localidades mais ameaçadas do mundo pela elevação dos oceanos.
O desaparecimento de Atafona é resultado de uma combinação de fatores naturais e, principalmente, da ação humana. Especialistas apontam que não há uma causa única, mas um somatório de problemas que aceleraram um processo que já ocorria de forma mais lenta.
A principal causa apontada é a drástica redução da vazão do Rio Paraíba do Sul, em cuja foz Atafona está localizada. A construção de barragens e o desvio de água para abastecer grandes centros urbanos, como o Rio de Janeiro, diminuíram a força do rio. Com menos volume de água, o rio perdeu a capacidade de transportar sedimentos (areia) para a costa, que naturalmente reabasteceriam a praia. Sem essa reposição, o mar avança sobre a terra sem encontrar resistência.
O aquecimento global agrava o cenário. A elevação do nível do mar, que na região de Atafona subiu 13 centímetros entre 1990 e 2020, e a maior frequência de ressacas e tempestades extremas aceleram o processo erosivo. A previsão é que o nível do mar suba mais 21 centímetros até 2050, intensificando ainda mais o avanço sobre o distrito.
O avanço do mar gerou um rastro de perdas materiais e emocionais. Centenas de famílias foram forçadas a abandonar suas casas, muitas delas com memórias afetivas de gerações. Moradores como Sônia Ferreira, que perdeu duas casas para o mar e para a areia, relatam a dor de ver a história de suas vidas ser engolida pelo oceano. Além das residências, a economia local, baseada na pesca e no turismo, foi severamente impactada, já que a erosão destruiu infraestruturas e dificultou o acesso dos barcos ao mar.
A localidade que está desaparecendo é Atafona, um distrito do município de São João da Barra, na costa norte do estado do Rio de Janeiro.
Estima-se que o avanço do mar já tenha destruído cerca de 500 construções, entre residências e comércios, desde o início do processo de erosão acelerada.
Existem propostas técnicas, como a construção de quebra-mares e a reposição artificial de areia na praia. No entanto, nenhuma solução definitiva foi implementada até o momento, e os moradores convivem com a incerteza e a falta de ações concretas do poder público.
O caso de Atafona é um exemplo emblemático dos impactos combinados da intervenção humana em ecossistemas fluviais e das consequências das mudanças climáticas. Enquanto soluções definitivas não são implementadas, a comunidade local vive em um compasso de espera, assistindo à contínua destruição de seu território e de suas memórias.
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