Após ser conduzido ao mar aberto em uma complexa operação, o tubarão que atraiu 1,6 milhão de visitantes a Busan retornou ao canal, levando autoridades a encerrar os esforços.
Olyvio Marques
Editor · Notícias · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O tubarão que ficou mais de um mês preso em um canal na cidade de Busan, Coreia do Sul, e foi alvo de uma complexa operação de resgate, retornou ao local na manhã seguinte à sua soltura. Atualizado em 22 de outubro de 2026, a notícia é que as autoridades sul-coreanas encerraram as operações para retirar o animal, apelidado de "Bukangi", após ele romper uma barreira e voltar para as águas do canal.
O animal, avistado pela primeira vez em 18 de setembro, havia sido conduzido com sucesso para o mar aberto na quarta-feira (21), na terceira tentativa de resgate. Contudo, na manhã de quinta-feira (22), o tubarão foi visto novamente no canal, levando ao fim dos esforços, conforme noticiado pelo jornal O Globo.
A terceira tentativa de resgate, realizada na quarta-feira (21), mobilizou uma grande estrutura com mergulhadores, drones e uma rede de 50 metros presa a plataformas flutuantes para guiar o animal lentamente para fora do canal, evitando o estresse de uma captura direta. A operação durou mais de oito horas e foi celebrada como um sucesso inicial, segundo relatos do G1 e da Folha de S.Paulo.
No entanto, o sucesso foi breve. Na manhã seguinte, Bukangi retornou, rompeu uma barreira instalada para impedir sua volta e ficou preso entre duas camadas de redes. As equipes removeram uma das redes para libertá-lo, mas as autoridades decidiram encerrar as operações, deixando o destino do tubarão incerto, de acordo com informações do O Globo.
Durante sua permanência de mais de um mês no canal do Porto Norte (Buk Hang, em coreano, que deu origem ao apelido), o tubarão se tornou uma celebridade. A presença do animal atraiu mais de 1,6 milhão de visitantes ao parque à beira-mar, segundo a Busan Infrastructure Corporation. A prefeitura chegou a nomeá-lo embaixador honorário da cidade, e a popularidade gerou até produtos temáticos, como os de um time de beisebol local e uma destilaria de soju.
A urgência do resgate se deu pela piora no estado de saúde do animal. Nos dias que antecederam a operação, Bukangi foi visto batendo a cabeça contra paredes de concreto, resultando em ferimentos no focinho, perto dos olhos e na nadadeira peitoral, conforme relatado pelo G1. Além disso, autoridades não conseguiram confirmar se o tubarão havia se alimentado durante o período em que esteve preso. Outra grande preocupação era a queda na temperatura da água com a chegada do outono, que poderia comprometer seu metabolismo e sistema imunológico.
O caso de Bukangi chamou a atenção para um fenômeno mais amplo: o aumento de avistamentos de grandes tubarões na costa sul-coreana. Segundo dados do Instituto Nacional de Ciências Pesqueiras (NIFS), foram registrados 46 avistamentos no primeiro semestre de 2026, um salto significativo em comparação aos 12 do mesmo período em 2025. Especialistas, citados em veículos como a Folha e a agência ANDA, associam esse aumento ao aquecimento dos oceanos, que pode estar alterando a rota migratória de tubarões e suas presas.
Houve divergência entre as fontes na identificação da espécie. A maioria dos relatos, incluindo do G1, o identificou como um tubarão-fidalgo (Carcharhinus obscurus), uma espécie classificada como ameaçada de extinção. Outras fontes o mencionaram como tubarão-cobre (Carcharhinus brachyurus) ou tubarão-cinzento.
O motivo pelo qual o tubarão retornou ao canal após ser levado ao mar aberto é desconhecido. Especialistas levantam hipóteses como a temperatura da água, que poderia estar mais alta no canal, ou a maior disponibilidade de peixes para alimentação na área, conforme apurado pelo O Globo.
Mais de 1,6 milhão de pessoas visitaram o parque à beira-mar em Busan para ver o tubarão Bukangi entre 18 de setembro e 20 de outubro de 2026, transformando o animal em uma grande atração turística.
A saga do tubarão Bukangi em Busan termina com um final incerto. O que começou como um fenômeno curioso, virou uma complexa operação de resgate e terminou em um retorno inesperado, levantando questões sobre o comportamento animal, os limites da intervenção humana e os possíveis impactos das mudanças climáticas nos ecossistemas marinhos.
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