A Finlândia encerrou sua rede de telefonia fixa após quase 150 anos. Entenda por que o país abandonou a tecnologia de cobre e o que isso sinaliza para o futuro.
Olyvio Marques
Editor · Notícias · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A Finlândia encerrou oficialmente sua rede de telefonia fixa nesta terça-feira, 30 de junho de 2026, marcando o fim de uma era de quase 150 anos. A decisão consolida a transição do país para infraestruturas de comunicação totalmente digitais, seguindo uma tendência global. Atualizado em 1 de julho de 2026.
O serviço foi encerrado pela Elisa, a última grande operadora de telecomunicações do país que ainda mantinha uma rede de cabos de cobre. O momento foi marcado por uma chamada simbólica entre o CEO da empresa, Topi Manner, em Londres, e Jarkko Saarimäki, chefe da agência nacional de comunicações (Traficom), que atendeu a ligação em um museu telefônico em Helsinque, conforme noticiado pela Euronews e pela Folha de S.Paulo.
Durante a conversa, ambos relembraram memórias ligadas ao telefone fixo antes de se despedirem com um informal "kuulemiin", que significa "falamos mais tarde" em finlandês. A rede de telefonia fixa do país nórdico estava em funcionamento desde a década de 1880.
A desativação da rede analógica não foi uma decisão súbita, mas o resultado de uma longa transição tecnológica e mudança de comportamento dos consumidores. Vários fatores explicam este movimento.
A Finlândia, berço da Nokia, viu o uso do telefone fixo ser quase totalmente substituído pelas comunicações móveis. Dados de 2024 já mostravam uma penetração de 126 assinaturas de celulares por 100 pessoas, indicando uma clara preferência pela mobilidade. Além disso, a antiga tecnologia de cabos de cobre, que transmite sinais analógicos, foi superada pelos cabos de fibra óptica, que permitem conexões de internet e voz muito mais rápidas e confiáveis através de impulsos de luz.
Ao anunciar a decisão em janeiro de 2026, a Elisa informou que restavam apenas "alguns milhares" de assinantes do serviço e que a empresa não comercializava novas linhas fixas há vários anos, segundo a CartaCapital. A baixa demanda tornou a manutenção da antiga infraestrutura economicamente inviável.
A Finlândia tem uma longa história de políticas públicas voltadas para a digitalização. Em 2010, tornou-se o primeiro país do mundo a decretar o acesso à banda larga como um direito básico de seus cidadãos, conforme relatado pela BBC. Este foco em infraestrutura digital moderna pavimentou o caminho para o abandono de tecnologias legadas como a telefonia fixa.
O desligamento pela Elisa representa o fim da rede nacional, mas não a extinção total do serviço no país. Operadoras locais menores continuarão a oferecer planos de telefone fixo para alguns milhares de clientes que dependem de chamadas locais. A Finlândia se junta a outros países europeus como Estônia, Países Baixos e Noruega, que já realizaram a mesma transição para redes totalmente digitais.
Não completamente. Embora a última grande rede nacional tenha sido desativada, algumas pequenas operadoras locais continuarão a prestar serviço para um número reduzido de assinantes, principalmente para chamadas locais.
A Elisa, a última grande operadora de telecomunicações da Finlândia a manter uma rede de telefonia fixa baseada em cabos de cobre.
A rede de telefonia fixa da Finlândia estava em operação desde a década de 1880, funcionando por quase 150 anos antes de ser desativada.
O adeus da Finlândia ao telefone fixo é um marco na história das telecomunicações. A decisão reflete uma inevitável evolução tecnológica, impulsionada pela superioridade da fibra óptica e da comunicação móvel, além de uma política nacional que há muito prioriza a conectividade digital. O movimento finlandês serve como um exemplo para outras nações que ainda caminham na transição de suas infraestruturas de comunicação.
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