Após comandar 1.100 lojas, Ricardo Nunes agora lidera o Grupo R1, focado em educação empresarial. Entenda os motivos da mudança e conheça seus planos.
Olyvio Marques
Editor · Notícias · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Ricardo Nunes, empresário que fundou e transformou a Ricardo Eletro em uma gigante com 1.100 lojas, declarou "varejo nunca mais" e agora concentra seus esforços em uma nova aposta: o Grupo R1, uma empresa de educação empresarial. Atualizado em 27 de outubro de 2026.
Em entrevista à Exame, Nunes, de 57 anos, afirmou que o cenário de juros elevados e a forte concorrência dos marketplaces tornaram as grandes operações de lojas físicas insustentáveis no Brasil. Após vender sua participação na varejista em 2018, ele se reinventou e, desde 2022, lidera o Grupo R1 para vender o conhecimento adquirido em sua carreira.
A decisão de Ricardo Nunes de deixar o setor que o consagrou baseia-se em uma análise pragmática do mercado atual. Segundo o empresário, a combinação de dois fatores principais inviabiliza o modelo de negócio que ele construiu:
Nunes vendeu sua participação na Ricardo Eletro em 26 de dezembro de 2018, quando a empresa já enfrentava dificuldades financeiras, com dívidas estimadas em R$ 2,6 bilhões na época, conforme reportado pela Exame. Ele ressalta que não tinha mais envolvimento com a companhia quando, anos depois, ela entrou em recuperação judicial (2020) e teve a falência decretada (2026).
Longe dos eletrodomésticos, a nova aposta de Ricardo Nunes é o Grupo R1, um ecossistema de educação empresarial. Em vez de vender produtos, ele agora vende sua experiência em gestão, marketing e vendas para outros donos de negócios.
Fundado por Nunes, o Grupo R1 oferece treinamentos, mentorias e consultorias. A operação conta com 130 funcionários e, segundo a Exame, projeta um crescimento superior a 120% em 2027. O empresário, no entanto, não divulga o faturamento bruto da companhia.
O negócio é estruturado em torno de produtos como a imersão "RGV" (Ricardo Geração de Vencedores) e o "Clube R1". O RGV é um treinamento presencial de três dias, enquanto o Clube R1 é uma comunidade exclusiva que conecta empresários para networking e troca de experiências, reunindo 560 empresas ativas.
Após a saída de seu fundador em 2018, a Ricardo Eletro enfrentou uma grave crise financeira. A empresa entrou em recuperação judicial em 2020 e, em julho de 2026, a Justiça de São Paulo decretou a falência de empresas do grupo, que acumulava um passivo de aproximadamente R$ 5,3 bilhões.
Nunes começou a empreender ainda criança em Divinópolis (MG), vendendo mexericas. Aos 18 anos, em 1989, abriu sua primeira loja de 20m², que deu origem à Ricardo Eletro. No auge, a rede chegou a ter 1.100 lojas, 45 mil funcionários e um faturamento anual de R$ 12 bilhões.
Sim. Em 2020, o empresário foi preso temporariamente durante uma investigação do Ministério Público de Minas Gerais sobre suspeitas de irregularidades tributárias. Ele foi solto no dia seguinte, após prestar depoimento. Segundo a revista Veja, em 2023 ele firmou um acordo de não persecução penal e pagou cerca de R$ 5 milhões para extinguir a punibilidade dos crimes tributários.
A trajetória de Ricardo Nunes ilustra uma grande virada de carreira: do comando de uma das maiores varejistas do país para o papel de mentor de empresários. Ao declarar o fim de seu ciclo no varejo, ele aponta para as profundas transformações do setor e aposta na educação como seu novo caminho para gerar valor e crescimento.
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