Jim Farley, chefe da Ford, afirma que a complexidade dos veículos modernos torna perigoso o reparo por donos ou oficinas não autorizadas. Entenda a polêmica.
Olyvio Marques
Editor · Notícias · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O CEO da Ford, Jim Farley, posicionou-se publicamente contra a ideia de que proprietários e oficinas independentes consertem veículos modernos, alegando que eles são complexos demais e que tais reparos podem não ser seguros. A declaração, feita em entrevista ao Detroit Free Press, acirra o debate sobre o "direito de reparar" nos Estados Unidos. Atualizado em 22 de junho de 2026.
Questionado se os clientes deveriam poder consertar seus próprios carros, Jim Farley foi direto, afirmando que a prática é insegura. "Esses carros são bem complicados e não achamos que seja seguro para muitos mecânicos, ou alguém como eu consertar em casa", declarou, conforme reportado pelo portal Vrum. Ele diferenciou a simplicidade de um modelo antigo de um novo: "Não tenho problemas em mexer em um Bronco 1973, mas em um novo? Eu precisaria de todos os tipos de ferramentas específicas. Isso é algo que poderia colocar vidas em risco".
A complexidade citada pelo executivo envolve principalmente sistemas avançados de assistência ao motorista (ADAS), que exigem equipamentos específicos para calibração de câmeras e sensores, algo improvável de se ter em uma garagem doméstica.
A preocupação de Farley com a complexidade dos veículos é reforçada por desafios internos da própria Ford. O CEO já admitiu que a montadora estava "muito atrasada" em comparação com concorrentes como a Tesla. Em uma análise, engenheiros da Ford descobriram que o Mustang Mach-E tinha 1,6 km a mais de fiação elétrica que um Tesla Model 3, resultado da aplicação de lógicas de carros a combustão em projetos elétricos, segundo o Seu Dinheiro.
Farley descreve os veículos atuais como "dispositivos digitais", onde o software define a experiência e a segurança. "Existe um risco social e geográfico de uma máquina inteligente que trafega por aí. Então, a política dos carros está prestes a mudar completamente, porque ela é definida por software", afirmou em entrevista ao No Lucro, citada pelo MoveNews.
A fala do CEO da Ford ocorre em meio a discussões sobre um projeto de lei nos EUA, apoiado por figuras como Donald Trump, que visa garantir a proprietários e oficinas independentes o acesso a softwares de diagnóstico, informações técnicas e peças. Atualmente, as fabricantes argumentam que apenas suas redes autorizadas podem realizar certos reparos para garantir a cibersegurança e o funcionamento correto dos veículos, criando um monopólio que, segundo críticos, eleva os custos para o consumidor.
Jim Farley acredita que os veículos modernos são excessivamente complexos e exigem ferramentas especializadas, tornando o reparo por pessoas não autorizadas inseguro e um potencial risco à vida. Ele também cita a cibersegurança como uma preocupação central.
É uma proposta legislativa que busca obrigar os fabricantes a fornecerem a proprietários e oficinas independentes acesso a softwares de diagnóstico, peças e manuais técnicos. O objetivo é quebrar o monopólio das concessionárias e promover a concorrência no setor de reparos.
A posição de Jim Farley ilustra um conflito central na indústria automotiva: de um lado, a crescente complexidade tecnológica e as preocupações com segurança defendidas pelas montadoras; do outro, o movimento pelo "direito de reparar", que busca mais liberdade e preços justos para os consumidores. A disputa define não apenas quem pode consertar um carro, mas também o futuro do controle sobre a tecnologia automotiva.
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