A 25ª Lavagem da Madeleine, patrimônio cultural francês, foi barrada pelo pároco local. Organizadores transferem o evento e falam em resistência. Saiba mais.
Olyvio Marques
Editor · Mundo · · 2 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
A tradicional Lavagem da Madeleine, celebração afro-brasileira realizada há 25 anos em Paris, foi impedida de ocorrer nas escadarias da igreja de mesmo nome pelo pároco local. Atualizado em 12 de setembro de 2026. Apesar da proibição, os organizadores confirmaram que o evento, marcado para este domingo (13), acontecerá em uma área pública em frente ao templo, onde são esperadas 60 mil pessoas.
Inspirada na Lavagem do Bonfim de Salvador, a Lavagem da Madeleine é um evento ecumênico que une referências do catolicismo e de religiões de matriz africana. Realizada há mais de duas décadas, a celebração se tornou um marco no calendário cultural de Paris, sendo reconhecida como patrimônio imaterial pelo Ministério da Cultura francês desde 2022, conforme informa a Agência Brasil.
A festa também integra a Rota dos Escravizados da UNESCO, um roteiro internacional que preserva a memória de locais ligados à história da escravidão. Ao longo dos anos, o evento já contou com a participação de grandes nomes da música brasileira, como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Daniela Mercury e Carlinhos Brown.
De acordo com a organização do evento, a mudança de local foi necessária após o pároco de La Madeleine, Monsenhor Patrick Chauvet, informar que não permitiria a lavagem da escadaria em 2026. Procurada por veículos de imprensa, a Arquidiocese de Paris não explicou oficialmente o motivo da negativa, segundo relatos da Agência Brasil.
Em nota, os organizadores lamentaram a decisão e se mantiveram abertos ao diálogo. Eles convocaram artistas, instituições e o público a apoiarem a 25ª edição como uma "demonstração de resistência cultural" e um ato em defesa da liberdade religiosa e da diversidade.
Apesar do impedimento, a festa está mantida e espera reunir uma centena de artistas. A cantora Mariene de Castro será a principal atração, ao lado do mestre de cerimônias Robertinho Chaves, em um trio elétrico. Também estão previstas apresentações do cantor Jau e da artista franco-brasileira Gildaa.
A programação inclui um cortejo que sairá da Place de la République ao som de samba, maracatu e capoeira, com a presença de uma ala de baianas. A celebração se estenderá pelas ruas de Paris após o ato religioso em frente à igreja.
O pároco da Igreja da Madeleine, Monsenhor Patrick Chauvet, comunicou aos organizadores que não autorizaria a lavagem das escadarias este ano. A Arquidiocese de Paris não forneceu uma explicação oficial para a decisão.
Não, o evento não foi cancelado. A celebração foi transferida para a área pública em frente à igreja e a programação, incluindo o cortejo e os shows, está mantida.
É uma celebração ecumênica com 25 anos de história, reconhecida como patrimônio cultural imaterial da França desde 2022 e parte da Rota dos Escravizados da UNESCO, promovendo a cultura afro-brasileira na Europa.
A 25ª edição da Lavagem da Madeleine se transforma em um símbolo de resiliência. Mesmo diante do impedimento de realizar seu ritual principal no local tradicional, a comunidade se mobiliza para manter viva a celebração, reforçando sua mensagem de tolerância, diversidade e resistência cultural nas ruas de Paris.
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