Embarcação mercante do século XVI, batizada de 'Camarat 4', foi achada intacta com centenas de artefatos, incluindo cerâmicas e canhões. Saiba mais.
Olyvio Marques
Editor · Mundo · · 3 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
Uma embarcação mercante do século XVI, naufragada há cerca de 500 anos, foi encontrada a mais de 2.500 metros de profundidade no Mar Mediterrâneo, próximo à costa de Saint-Tropez, na França. A descoberta, considerada uma "cápsula do tempo", revela um navio notavelmente preservado com sua carga quase intacta. Atualizado em 22 de junho de 2026.
O navio, batizado provisoriamente de "Camarat 4", tem cerca de 30 metros de comprimento e foi localizado em águas territoriais francesas, tornando-se o naufrágio mais profundo já registrado no país. Segundo pesquisadores, a descoberta ocorreu por acaso durante uma operação da Marinha Francesa que testava veículos subaquáticos operados remotamente (ROVs).
A excepcional preservação da estrutura de madeira, metais e cerâmicas é atribuída às condições extremas do local: frio intenso, ausência total de luz e correntes oceânicas fracas, que protegeram os destroços da degradação e de saqueadores por séculos, conforme detalhado por fontes como a Gazeta do Povo.
A carga da embarcação oferece um vislumbre detalhado do comércio marítimo no período renascentista. Equipes de arqueologia subaquática, utilizando robôs com câmeras de alta definição, identificaram centenas de artefatos. De acordo com reportagens da Exame e O Antagonista, os principais itens incluem:
A exploração do "Camarat 4" só foi possível graças ao uso de tecnologia avançada, já que mergulhos humanos são inviáveis a essa profundidade. A Marinha Francesa utilizou veículos submarinos que, segundo o site Aventuras na História, não tinham a arqueologia como objetivo inicial, mas sim o monitoramento de infraestruturas estratégicas no leito marinho.
Os robôs, equipados com sonar, câmeras de alta resolução e braços articulados, permitiram mapear o sítio em 3D e registrar os artefatos sem contato direto, garantindo a integridade do local. O projeto agora foca no delicado processo de planejar a recuperação de algumas peças para estudo em laboratório.
O navio está em condições extraordinárias devido à combinação de fatores ambientais a 2.500 metros de profundidade: temperaturas muito baixas, escuridão completa e ausência de correntes fortes. Essas condições inibiram a ação de microrganismos que decompõem a madeira e protegeram o sítio de perturbações por cinco séculos.
A descoberta é fundamental para entender as rotas comerciais, os tipos de mercadorias transportadas e a tecnologia de construção naval do século XVI. O "Camarat 4" funciona como uma janela direta para a economia e o cotidiano da vida no mar durante o Renascimento, fornecendo dados que não estão disponíveis em registros históricos terrestres.
O naufrágio "Camarat 4" representa um marco para a arqueologia subaquática, demonstrando como a tecnologia moderna pode desvendar segredos de séculos passados escondidos nas profundezas do oceano. O estudo de seus artefatos promete reescrever partes da história do comércio marítimo europeu e reforça a importância da proteção do patrimônio submerso, que, mesmo em locais remotos, já mostra sinais de poluição moderna, como plásticos e redes de pesca.
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