Dawa Sherpa, de 57 anos, enfrentou congelamento e fratura no fêmur; ele sobreviveu com chocolate e gelo até que uma avalanche o ajudou a sair de uma fenda.
Olyvio Marques
Editor · Mundo · · 1 min de leitura
Imagem: gerada por IA / Portal PULSE NEWS BRASIL
O guia nepalês Dawa Sherpa, de 57 anos, que passou seis dias desaparecido no Monte Everest, detalhou como sobreviveu em condições extremas, incluindo uma queda em uma fenda e ser atingido por uma avalanche. "Achei que ia morrer lá", disse ele à agência AFP enquanto se recupera em Katmandu, capital do Nepal.
Sherpa, que atuava como cozinheiro e foi chamado para substituir um guia, ficou sem oxigênio durante a descida do pico em 28 de maio. Ele pediu a seu companheiro, o alpinista britânico Chris Thrall, que continuasse sem ele. "Quando meu oxigênio acabou, eu não conseguia mais mexer as mãos nem os pés", relatou. Sozinho, ele conseguiu chegar a uma barraca, onde comeu macarrão instantâneo, e passou uma noite no Acampamento 3, a cerca de 7.100 metros de altitude.
No dia seguinte, ao tentar descer pela perigosa Cascata de Gelo de Khumbu, Dawa Sherpa escorregou e caiu em uma fenda profunda, onde ficou preso por dias. Ele sobreviveu comendo chocolate e biscoitos que tinha nos bolsos e mastigando gelo para se hidratar. "Eu me perguntava se ia viver ou morrer, apenas esperando que alguém viesse me resgatar", contou.
A ajuda veio de uma forma improvável: uma avalanche. A neve preencheu parte da fenda, permitindo que ele rastejasse para fora após um esforço de mais de uma hora. Ao alcançar a rota principal, ele seguiu uma corda e rastejou em direção ao Acampamento Base. Na manhã de 4 de junho, foi encontrado por uma equipe nepalesa responsável pela manutenção das rotas e limpeza da montanha.
Dawa Sherpa foi evacuado de helicóptero para Katmandu com membros congelados, desidratação e uma fratura no fêmur. Ele já deixou a UTI e seu estado é estável. A história de sobrevivência gerou críticas de familiares e da comunidade de alpinistas, que apontam negligência e demora na operação de resgate e pedem uma investigação sobre o caso.
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